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Cidadão do Mundo

Pelas ruas do Cairo

O Egito é um país de contrastes que não se resumem à cultura e às pessoas, significa também que TUDO pode ir de um extremo a outro sem qualquer aviso-prévio.

Cairo e suas imediações possuem infindáveis atrações (há de se dar o devido desconto a várias dessas “atrações”). Muitas são pitorescas, outras históricas, e algumas se revelam uma verdadeira caixinha de surpresas.

Convém avisar que, em alguns casos, será necessária uma dose extra de paciência, principalmente com os motoristas de táxis – pilotando insanamente seus carros que nunca foram lavados (exceto quando saíram da fábrica) -, além de modificarem deliberadamente o preço previamente combinado – lá não existe taxímetro e os vendedores das lojas (sujeitos insistentes, galanteadores ao extremo e inconvenientes com as mulheres) têm um lema: “tudo por uma venda”.

O pior de tudo é perceber que a maioria das coisas, simplesmente, não funciona ou é preparada/conduzida de forma improvisada. Egípcios são peritos em improviso. Imagine um lugar por onde passa muita gente: todo mundo quebrando um pouco e ninguém consertando (ou limpando) nada. Melhor, limpam e consertam até o limite. Lá tudo é “provisório para sempre”.

Por ser uma grande metrópole, o Cairo apresenta os diversos problemas de uma “big city” – falta de saneamento nas ruas, trânsito caótico, pobreza… Apesar de ser maior que São Paulo e possuir 14 milhões de habitantes, não conta com a quantidade (e a qualidade) de edifícios encontrados aqui. Lá tudo é mais disperso. Na cidade observa-se, em todos os setores, a convivência entre o extremamente simples e o sofisticadíssimo. E, como não poderia deixar de ser, tudo o que é um pouco mais sofisticado é reservado ao turista e/ou aos egípcios mais abastados. O restante da população vive precariamente.

Uma das coisas que mais chama a atenção é que o Cairo não pára – se você acha que São Paulo não pára, é porque ainda não viu a vida noturna daquela cidade. Todo mundo vai para as ruas: homens, mulheres, crianças, turistas. Às 4 horas da manhã as ruas estão lotadas, principalmente no verão. Tudo flui normalmente, como se fosse dia: lojas, ambulantes, comércio em geral.

Todo mundo grita o tempo todo, discutem entre eles. Em meio ao “caos” das ruas, os animais domésticos (do gato ao camelo) passeiam, outros (patos e galinhas) aguardam, impacientes em suas gaiolas, um comprador. É um burburinho só! Consegue ter uma idéia do que é isso?

Dia e noite, seus moradores vivem sob calor intenso e extrema secura (as chuvas são raras por lá). Mas o “caos principal” é, sem dúvida, o trânsito. Para apressar o passo, tocam-se as buzinas numa sinfonia disforme. Além da buzina, outro recurso automobilístico muito usado é o freio. Não é uma freada branda, é brusca, muito brusca – os poucos faróis que existem não são respeitados. Os pedestres atravessam entre os carros e não têm o menor receio de atropelamento. O destemor de motoristas e pedestres é cultural, convivem com isso desde a infância, aprendem cedo a lidar com esta situação. Pode parecer um exagero, mas corre-se risco de morte ao fazer uma corrida (literalmente falando) de táxi.

Todo mundo anda a 120/140 km por hora. Do nada, viram a direita e cortam a frente dos outros. E… “que virada foi essa?” Um verdadeiro video-game ao vivo, onde você está dentro do carrinho. Pronto… e já entramos em outra avenida. Se vamos chegar vivos? “Inchalah” (Se Deus quiser!). É o que todos dizem! No Cairo tudo depende de Deus! Tudo é “inchalah”.

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