O Rio de Janeiro continua lindo!

Não há descrição melhor para a Cidade Maravilhosa – principalmente para quem já visitou o Rio mais de uma vez: “O Rio de Janeiro continua lindo…”, como diz o trecho da música “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil. A beleza da cidade não está presente apenas nas magníficas paisagens naturais, mas também na hospitalidade do povo, que recebe os visitantes de braços abertos e com um belo sorriso estampado no rosto. 

E foi justamente lá onde passei alguns dias em setembro de 2016. Já havia visitado a Cidade Maravilhosa pela primeira vez em 2011, quando me apaixonei logo de cara – sentimento que se ampliou assim que pisei em solo carioca pela segunda vez. 

Mas o motivo de minha visita foi muito além de matar as saudades das belezas do Rio. Fui para prestigiar um evento que atraiu olhares do mundo todo para o Brasil: os Jogos Paralímpicos 2016. Depois do país surpreender o mundo com os Jogos Olímpicos, começando pela cerimônia de abertura, me senti inspirada a acompanhar uma série de competições ainda mais especial e incentivadora para todos nós. 

Cheguei na véspera da estreia dos jogos e não poderia deixar de desfrutar das diversas maravilhas que o Rio de Janeiro nos apresenta. Meu primeiro ponto de parada foi o Cristo Redentor: a estátua branca de 38m, considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, que “abraça” toda a cidade do Rio de Janeiro.  Recomendo fazer tal passeio ao entardecer, pois a vista deslumbrante do pôr do sol, como pano de fundo de grande parte da cidade carioca é um ponto turístico obrigatório!

No dia seguinte, conheci o Museu do Amanhã, projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e inaugurado em dezembro de 2015. É considerado um dos símbolos da revitalização da região portuária do Rio de Janeiro, foi construído em um píer sobre a Baía de Guanabara, em frente à Praça Mauá. Uma obra belíssima que chama a atenção pela grandiosidade e formas futurista. O prédio explora a ciência, a arte, a linguagem e a tecnologia, em ambientes que interagem com os visitantes por meio de recursos audiovisuais e sensoriais.  As mudanças climáticas, a alteração da biodiversidade etc. são expostas no presente e no futuro da humanidade.

Já no fim da tarde fui de metrô até o estádio do Maracanã para acompanhar a abertura dos Jogos Paralímpicos. Posso afirmar que a partir daí até a última competição que acompanhei, vivi uma das melhores experiências da minha vida! Nos segundos iniciais da abertura, o cadeirante norte-americano Aaron Wheelz desceu uma megarampa, erguida no Maracanã, passando por dentro de um círculo de fogo. Uma dançarina norte-americana, Amy Purdy, que teve as pernas amputadas, também emocionou com uma maravilhosa apre-sentação de balé.

E como não se comover quando a ex-atleta Márcia Malsar entrou no estádio segurando a tocha, apoiando em sua bengala, e, num desiquilíbrio, caiu, levantando-se junto com os gritos e aplausos de um Maracanã lotado, na maior manifestação de incentivo, típica do brasileiro! Sentir tal calor humano pelo tamanho gesto de bondade me emocionou – assim como no momento em que a bandeira paralímpica foi levada por crianças com paralisia cerebral, as quais deixaram a cadeira de rodas e entraram caminhando no estádio graças a um colete de neoprene e uma bota especial de lona que prende os seus pés aos de seus pais.

No dia seguinte a emoção continuou com minha visita ao Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. Um complexo com mais de 1,18 milhão de metros quadrados composto por nove instalações, feitas para receber as modalidades esportivas. Arenas gigantescas de arquiteturas inovadoras e diferenciadas. Lá acompanhei as competições de natação e basquete em cadeira de rodas, além, é claro, de circular por todo o Parque. O acesso ao local se deu por metrô e BRT (Transporte Rápido por Ônibus) – ônibus diferenciados que fazem trajetos muito mais rápidos, seguindo por corredores próprios. 

Encerrei meu passeio, visitando o estádio do Engenhão para conferir algumas provas de atletismo — e ainda ter a honra de ver o brasileiro Daniel Martins ganhar o ouro nos 400m. 

Enfim, sou muito grata por ter visitado palcos de tantas superações, lutas, vitórias… Exemplos para levarmos conosco no dia a dia. Atletas que não se abalam com suas dificuldades e trazem consigo um sorriso contagiante no rosto, que nos dá um “tapa” por muitas vezes reclamarmos de tantas futilidades, transformando-as em tempestades.  Competidores que, muitas vezes, precisaram vencer a falta de apoio, patrocínio e incentivo, porém não desistiram.  Eles, sim, são super-heróis! Saí do Rio com o espírito renovado!