Arquipélago dos Açores

Açores é um arquipélago de nove ilhas, situado a um terço de viagem entre a Europa e os Estados Unidos da América. A origem do arquipélago, descoberto em 1427 pelos portugueses, perde-se na bruma dos tempos. As ilhas surgiram das erupções vulcânicas ou são os cumes da lendária Atlanta, o continente desaparecido?

Lendas e tradições fazem a sua história. Seus filhos contemplam o mar, presos nas suas meditações… “Almas Cativas”. Foi assim que Roberto Mesquita – poeta açoriano – intitulou o seu livro de poemas.

Com uma população de 242 mil habitantes espalhados pelas nove ilhas, possui uma superfície de 2.333km2 e quase fica à margem da vida e do mundo.

No ressurgir lento do arquipélago Açoriano, a natureza reuniu todas as belezas de caprichoso deslumbre e com elas dotou aquelas ilhas paradisíacas, como se quisesse manter um laço indissolúvel a lembrar o maravilhoso continente submerso, envolvendo-as numa lenda romântica, reforçada pela bruma constante do anoitecer. Por isso são também conhecidas como as “ilhas de bruma”. Mas os vestígios da sua origem vulcânica estão também patentes em todas as ilhas, através das suas rochas calcinadas e escuras, nas suas profundas lagoas plantadas nas crateras dos extintos vulcões, nas erupções ocorridas em 1955 na ilha do Faial, ou nos gêiseres da ilha de São Miguel.

A rocha calcinada da sua costa, áspera, rugosa de violenta cicatriz, eriçada de dentes agudos, apontando o espaço ou o mar, mostra laivos de outras épocas, que o tempo levou, deixando a pálida imagem de recordações no crepúsculo do anoitecer, das chamas incandescentes de lava e magma. A espuma do revolto mar, que se abraça nas rochas da costa, espalha-se pelo vento agreste, arrastando a poalha que se transforma, misteriosa. Cada localidade leva em si a lembrança do ronco de um vulcão e o tremor de um terremoto, como se fosse uma pétala esvoaçante imbuída de espanto pelo ruído rouco e profundo que vem das entranhas da terra, como se uma força subterrânea arrojasse seu magma para que seus filhos, introvertidos pelo isolamento dos séculos e contemplativos olhando o mar, se tornassem saudosistas sem saber de quê. Filhos poetas pela íntima vivência dos sentimentos e profundamente religiosos pela necessidade da fé que lhes acalenta a alma.

As festividades do Divino Espírito Santo e do Senhor Santo Cristo são tão marcantes, que os núcleos espalhados pelos quatro cantos do mundo não deixam de comemorar essas datas, mantendo as tradições de raízes originais.

São assim os Açores, paraíso desconhecido, mundo entre os mundos, terra de que se ouviu falar e ninguém conhece, e que esconde uma beleza natural e viva, pujante e apaixonante.

Em todas as ilhas um deslumbramento para os olhos. Os campos espalham-se floridos e verdes pelas colinas e pelos montes onde as hortênsias procuraram guarida para se reproduzirem, de forma espontânea e natural, sem os retoques da mão humana que leva ao artificial. Ali tudo é natureza, tudo é verde, tudo é flor, simples e belo.

As plantas preguiçosas que se esparramam na umidade do amanhecer, emprestam-lhe seus filamentos de rubi como uma emanação, como se dos troncos mortos se lhe escapasse a alma.

A chuva fria da região não tem as rajadas impulsivas da chuva quente tropical, quando cai em bátegas caudalosas como um látego que passa e deixa um céu azul de anil.

Mas é por aquelas bandas também, que se desencadeia a fúria do mar vibrante de grandes ondas que se erguem altaneiras sobre a costa com um estrondo colossal, nas épocas de ressaca, como se fosse ali a palpitação do universo, investindo intermitentemente contra as muralhas de pedra, num espetáculo ora assustador, ora fascinante.

Passadas as investidas do mar à terra, volta o marulhar manso,

que se ouve quando a espuma beija preguiçosamente a areia cálida, ou desliza como que enlanguescido num abraço carinhoso às rochas negras do sopé dos outeiros. As ondas se desfazem ou recuam para recobrar forças e voltar…recuar….voltar…infinitamente. E assim, quem nunca visitou os Açores não pode dizer que já teve a antevisão do paraíso, porque ali o tempo parece ter parado para meditar e sentirmos a paz interior que nos envolve naquelas paragens belas e românticas. Visitar o arquipélago dos Açores é uma viagem inesquecível.