Divórcio na quarentena,  como ficam os filhos?

Eu nunca ouvi ninguém dizer que se divorciar é fácil, mas quando o casal tem filhos, a situação se mostra ainda mais dolorosa.

A primeira providência a se tomar é ser honesto com as crianças. Frases como “nada vai mudar” trazem instabilidade porque não condizem com o que a criança está vivendo e sentindo no momento.

O que os filhos precisam saber é que não importa qual seja a configuração matrimonial, a família será sempre uma família.  Mas é evidente que isso não pode ser apenas um discurso.

Pensemos que a partir desse momento as crianças entram em um processo de adaptação de sua nova realidade.

 Apesar de os pais estarem vivenciando suas próprias dores, é preciso dar suporte aos seus filhos, independentemente de qual seja a faixa etária deles.

Essa adaptação poderá variar em tempo, mas o meu convite à reflexão está no modo de conduzirmos as coisas daí pra frente.

Para qualquer criança se desenvolver de maneira saudável, o melhor ambiente é o ambiente afetuoso. Afeto é diferente de bens materiais, lembrem-se disso!

A tentativa de compensação de ausência via presentes é lugar comum, mas não é o melhor que podemos oferecer aos nossos filhos.

O melhor mesmo é que eles estejam certos de que não importa qual seja a distância, eles podem contar com o amor de seus genitores!

Outro fator relevante é não falar mal do ex-marido ou da ex- mulher para eles. Quem mais cria feridas para toda a vida neste contexto é a própria criança, e alienação parental é algo grave.

Mais um fator pertinente ao crescimento saudável de qualquer criança é ter adultos por perto em quem ela confie para lhe dar direcionamentos.

O que facilita a tarefa de educar, quando precisamos direcionar nossos filhos, é sabermos separar necessidade de desejo.

As necessidades são prioridade, os desejos nem sempre precisam ser atendidos prontamente, e isso independe da condição matrimonial dos pais.

Uma criança que tem todos os seus desejos atendidos não cresce de modo saudável, e uma criança que cresce com suas necessidades negligenciadas também não.

Quando os filhos têm um comportamento que passe pela cabeça dos pais ser resultado de seu divórcio, esses pais devem conversar com outros pais conhecidos que vivem juntos, sabe por quê? Às vezes eles mudam de atitude só porque mudaram de fase de crescimento mesmo, e isso não está intrinsicamente ligado ao divórcio de seus pais.

Sou da geração que cantou “Pais e Filhos” à plenos pulmões. As crianças que se saíram melhor dessa dor foram, na minha visão, aquelas cujos pais tornaram-se ex-marido e ex-mulher, mas nunca ex-pai e ex-mãe, com todas as responsabilidades, dores e louros que só a experiência da parentalidade pode oferecer.

Denise Rohrer

Orientadora Parental Internacional

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