Um adolescente em Madri

Como todo adolescente de 16 anos, quero viajar, assumir minhas responsabilidades e provar que posso ser independente e que estou crescendo. Por essa razão, meus pais depositaram confiança em mim e me presentearam com a minha primeira viagem internacional sem a companhia de alguém da família.

Eu tenho um grande amigo, o Juan, e nós nos conhecemos praticamente na maternidade. Quando ele tinha 8 anos, mudou-se para a Espanha com a mãe, porém em todas as férias de verão europeu ele vem para o Brasil. Apesar da distância, nossa amizade permaneceu muito forte depois de prati-camente nove anos que ele foi para a Europa.

Juan e sua mãe, minha tia Ana, me convidaram para passar as férias na casa deles, já que era verão na Europa, e eles quiseram que desta vez eu conhecesse um pouco da rotina deles e da vida na capital da Espanha. Com um conviteirrecusável como esse, eu aceitei e viajei para Madri no começo de julho.

Embarquei sozinho no avião e, durante a viagem de dez horas, tentei me garantir com o meu portunhol meia-boca, mas graças à cara de pau da minha mãe, que fez amizade, no saguão do aeroporto, com uma família brasileira que entrou no mesmo voo que eu, tive a sorte de ser bem amparado, o que me deu mais segurança enquanto voava.

Ao descer no aeroporto de Madri, a sorte mais uma vez me deu uma forcinha, tive uma chegada tranquila — como tenho dupla cidadania (brasileira e italiana) não tive nenhum problema. Meu amigo Juan e minha tia Ana já estavam me esperando no desem-barque e me convidaram para um delicioso almoço, para repor as energias gastas na viagem. Após a refeição, tirei um merecido cochilo, pois sabia que muitas baladas, aventuras e pessoas novas estavam me aguardando.

Nos primeiros dias tive muita dificuldade com a língua, mas a partir do terceiro comecei a pescar algumas palavras; o castelhano deixou de ser um obstáculo e consegui me comunicar com mais facilidade. Visitei vários lugares importantes, como o Banco Central e a Praça de Cibeles, que divide os limites dos bairros Centro, Retiro e Salamanca, em cujo centro situa-se a famosa e magnífica Fonte de Cibeles. Em cada uma das quatro esquinas da praça estão edifícios históricos construídos entre os séculos XVIII e o começo do XX.

Fiz um passeio de “segway” pela zona real, onde fica o castelo e suas instalações. Soube que o palácio real de Madri é considerado o maior de toda a Europa e apenas utilizado para eventos, já que a família real não reside no local.

Costumam dizer que, para avaliar o custo de vida dos países, a cotação é feita por meio do Big Mac, já que existem Mc Donald’s espalhados por todo o mundo. Em Madri dois hambúrgueres do Burger King e um combo grande do Big Mac custam 6 euros cada um, e uma camiseta de boa qualidade e marca custa 5 euros, ou seja, uma bagatela em comparação ao alto custo de São Paulo.

Uma das coisas de que eu mais gostei foi da segurança. Pude andar tranquilamente pelas ruas, mesmo durante as madrugadas, sem medo de assaltos e abordagens suspeitas. Como era verão, só escurece às 23h, portanto aproveitamos os belos dias da estação. A falta de congestionamentos imensos, a preservação das construções e a qualidade do transporte coletivo me deixaram mais fascinado ainda pela cidade.

Um costume que me chamou bastante a atenção foi o jeito chamado de “comer as tapas”, em que a pessoa percorre os bares e come alguns petiscos com polvo, camarão e um prato servido de pão com lula à dorê. Em princípio parece estranho, mas vale a pena experimentar, pois é muito bom! Embora seja possível saborear as tapas em todos os bares e restaurantes de Madri e seu entorno, o turista não pode deixar a cidade sem experimentar aquelas que são servidas nas zonas do Centro e La Latina. Nem pensem em sair de Madri sem provar umas tapas em La Latina! No Txacoli ou Peonza, situados na Cava Baja, há também os petiscos típicos da gastronomia basca. 

Visitei também o Estádio Santiago Bernabéu, que é de propriedade do Real Madrid, e fiquei impressionado! Como todo bom brasileiro, joguei um futebol com os amigos do Juan para provar que ainda temos arte e somos bons de bola. 

Aprendi que o nome Madri vem do árabe “Mayrit”, que significa “terra da água”: Madri é atravessada pelo Rio Manzanares e está situada no centro da Península Ibérica, a 660m de altitude — atualmente a cidade tem 3 milhões de habitantes.

Gostei muito da forma como os madrilenhos encaram os recursos naturais, pois, eles têm mais respeito pelo meio ambiente. As pessoas que eu conheci não têm filtro e não compram água mineral de garrafas pets, pois bebem a água da torneira, que é potável também. 

Eu espero que a minha vida seja longa e boa para que eu possa voltar à Espanha e conhecer muitos outros lugares que me aguardam. Quando eu entrar para o mercado de trabalho, quero trabalhar muito para me proporcionar outras viagens como essa. Mas enquanto isso não acontece, tenhoque ter paciência, e quem sabe futuramente ganhe outra de presente!