Surpresas no Vietnã

Não concordo com o sistema de governo, mas, dos três países que conheci no Sudeste Asiático — Tailândia, Camboja e Vietnã, foi este último, um país de regime Comunista, de que mais gostei! Muitos alertas são dados para os turistas interessado em conhecer esse país e sua antiga capital Saigon, mas me senti totalmente acolhido pela cidade, curti a agitação noturna e, se quisesse, podia até ter feitos umas compras em alguns dos seus sofisticados shopping pela cidade. 

Pois é … o Vietnã é muito mais do que nós aprendemos nas aulas de história! Desembarquei no Aeroporto de Saigon, na cidade de Ho Chi Min, antiga capital Saigon que mudou em 1975 para Ho Chi Minh, nome de um revolucionário estadista que unificou o Norte e o Sul do Vietnã. Peguei um taxi direto para o bairro turístico e percorri um caminho de desenvolvimento pujante: edifícios em construção, anúncios de produtos de países capitalistas, tráfego de lambretas, carros e bicicletas, em meio a um caótico trânsito – bem ao estilo de alguns países asiáticos.

Ho Chi Min é a maior cidade e o principal centro financeiro do país. Com uma população de quase 9 milhões de habitantes, ela é efervescente! Não vi miséria, lixo ou um controle do estado presente. Parece que o vietnamita está satisfeito com sua vida, eles parecem felizes.

Quando acabou a Guerra da Opressão Americana, em 1975, um projeto, com rigor militar, foi instaurado no Vietnã. Por meio da Educação foi projetado o futuro do próximo tigre asiático. Hoje o país tem uma população qualificada e desenvolvimento interno invejável. As coisas funcionam! Nas poucas conversas que puxei sobre o regime político, percebi que não existe esta preocupação, pois o povo confia no governo.

Tive a simpatia de ganhar um amigo logo que cheguei ao hotel. Seu nome é Thinh Nguyen, e ele me levou de lambreta para conhecer realmente a cidade. Ele contou que o vietnamita trabalha de domingo a domingo, com salário de 100 dólares mensais, 1 dólar vale $ 22.730,00 dongs. Mas, mesmo assim, as pessoas são bem-humoradas, respeitosas, dóceis, com sorriso aberto…   Vivem num regime comunista, mas tem acesso à internet e às Redes Sociais.  E podem comprar produtos ocidentais nos mercados ou nos shoppings – no de Saigon, por exemplo, há lojas da Hermes, Louis Vuitton, Armani …no entanto, essas grifes são para poucos: para a elite do Exército Vermelho.

Passeando pela cidade, vi muitos batalhões do exército, mas também muitas praças e templos, em sua maioria budistas. Também conheci a réplica da Igreja de Notre Dame, em Paris. A influência francesa na península de Indochina teve início no século XVII, quando o Vietnã era dividido em três regiões: Cochinchina (Sul), Annam (Central) e Tonkin (Norte). Acredito que à época da Indochina francesa despertou uma mentalidade mais aberta até para o Exército Vermelho! O governo comunista respeita as religiões, desde que suas manifestações se limitem dentro dos templos. Não são permitidas reuniões que concentre pessoas fora deles nem o uso de símbolos religiosos. Aliás, é proibido entrar no Vietnã com a Bíblia ou com um crucifixo no pescoço, por exemplo.

Decidi ficar por cinco dias apenas em Ho Chi Minh, pois levaria muito tempo para conhecer o Norte do país, a 2 mil km. E descobri uma cidade vibrante, repleta de vida noturna, comércio e convivência harmônica. Muitas pessoas falam inglês e a maioria se veste de forma ocidental. As praças são as áreas de lazer, onde a população convive;  passa o dia, dança, canta, faz piquenique, joga peteca, vi até gente com micro-systen no ombro, tipo EUA anos 1980, mas, não vi nenhum skatista. Também notei que a cidade é pouco arborizada, as praças têm muito poucas áreas verdes.

Visitei museus das memórias da guerra e da história do Vietnã, fui conhecer os famosos túneis de Cu Chi, feitos e usados pelos vietcongs para atacarem as tropas americanas durante a guerra separatista. Fiquei impressionado, pois esses túneis são formados por uma rede que interliga casas e caminhos por 200 quilômetros abaixo da terra. Há ainda um campo de tiros do exército para que os turistas possam se aventurar. Voltei para a Ho Chi Minh de lancha pelo Rio Song Sai Gon, num percurso de duas horas. 

Adorei minha estadia ao Sul do Vietnã e fiquei muito curioso em conhecer o Norte do pais, onde está a capital Hanói! Essa região, que foi invadida e dominada pelos chineses por cerca de 1000 anos, tem grande influência chinesa e, a cerca de uma hora da capital, fica a famosa Halong Bay, com suas fascinantes montanhas que avançam mar adentro. Descobri que há vários tipos de minicruzeiros para visitar essas ilhas que compõem Halong Bay. Vou conhecer essa região numa próxima viagem! E a primeira coisa que farei quando voltar é tomar a cerveja Bia Saigon, a mais gostosa que já experimentei! Eles têm o costume de beber cerveja com pedras de gelo. Eu preferi de nosso jeito brasileiro, sem gelo!

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