Os Cenários de Praga

A decisão de viajar, seja para onde for, além de gerar grande expectativa, é um ato de coragem! Basicamente, viajar é estar disposto a sair de sua zona de conforto e se transportar do meio comum e conhecido para algo novo. É um ousar sentir.

Viajar traduz a necessidade do ser humano de construir relações e conectar-se com outras culturas. Esse anseio por desbravar novos territórios é que nos possibilitou estar onde estamos, nos fazendo compreender que o ser humano é um ser adaptável e pode viver nas condições mais extremas espalhadas pelo mundo.

Para ser um cidadão do mundo, não é necessário percorrer milhas e milhas, pois o grande aprendizado de uma viagem é apenas ter uma mente aberta para enxergar o lugar onde se está pisando e interagir com o espaço para captar a essência.

Minha mais recente viagem foi à cidade de Praga, na República Tcheca, mas, antes de começar a falar sobre a cidade, gostaria de fazer algumas observações que costumam me ajudar nas minhas viagens, e espero que também sejam úteis: sempre levo sapatos confortáveis e, faça chuva ou faça sol, nunca me esqueço de que o viajante precisa ter espírito aventureiro, mantendo os sentidos aguçados, como se evocasse os seus ancestrais para que o proteja em cada jornada!

Em Praga, caminhar pelas ruas e pontes de pedra é encantador, e dá para sentir o peso da História: a cidade é uma mistura magnífica de arquiteturas de diferentes épocas, que transporta o visitante para séculos passados, em uma sensação de estar num filme antigo. O cenário é uma mistura de medieval e barroco, gótico e romântico. A concentração de diversos prédios por metro quadrado é impressionante, não só na cidade velha, mas em toda Praga. Os edifícios se concentram lado a lado, com diferentes cores e formatos. Portas, portões, janelas, fechaduras e/ou um simples extintor de incêndio estão presentes: bem desenhados e com muito estilo.

Um dos cartões-postais da cidade é o relógio astronômico, situado no alto de uma torre na cidade velha. O nome dele é Orloj e tem três componentes principais, representando a posição do Sol e da Lua no céu, além de mostrar vários detalhes celestes, todos os signos do zodíaco e a caminhada dos apóstolos. Ele foi construído com um sistema rudimentar, ou seja, funciona por meio de mecanismos que hoje são considerados “pré-históricos”. O mais impressionante é que está intacto, e de hora em hora, de cima da torre do relógio, uma corneta toca para os turistas, lembrando que a vida passa rapidamente e que é preciso apreciar o momento da história que estamos vivendo!

De muitos pontos da cidade, é possível avistar o castelo de Praga e ao chegar ao seu topo, temos uma visão panorâmica da região. Descendo a ladeira do castelo, muitas pontes históricas, que abriram caminho para a evolução da cidade, se cruzam, e, por baixo delas, corre o rio Vltava. O rio é muito especial, pois dá um charme ainda maior à cidade, com seus barcos e pedalinhos, tornando-se uma atração à parte aos turistas que, assim como em Paris, também apreciam o passeio sobre o curso d’água. Durante o passeio de barco o que me chamou mais a atenção foi o prédio dançante, projetado pelo famoso arquiteto Vlado Milunic – na sua cobertura existe um restaurante francês com vista magnífica da cidade.

A ponte mais famosa de Praga é a Ponte Carlos (em tcheco Karlùv mos), segunda ponte mais antiga existente na República Tcheca. Sua construção começou em 1357, a pedido do rei Carlos IV, e foi finalizada em princípios do século XV. Sendo ela a única forma de atravessar o rio, a Ponte Carlos transformou-se na via de comunicação mais importante entre a cidade velha, o castelo de Praga e as zonas adjacentes até 1841.

Como o meu tempo de estadia era curto (apenas seis dias), e as minhas noites já estavam comprometidas, com eventos de trabalho, durante meu dia livre optei por visitar algumas galerias de arte contemporânea. Conheci a Galeria Nacional, que reúne belas obras, mas confesso que a minha preferida foi uma pequena, chamada Galerie Kritiku, que abrigava as obras de três artistas tchecos. O artista que mais me chamou a atenção foi Evzen Simerau. Ele trabalha com a força da gravidade, faz um trabalho com a tinta no ar e pula de um avião. O resultado da obra e da textura é surpreendente.

Praga já foi palco de muita luta de poder, e quem passeia, por ela entende a trajetória histórica, deparando-se com vestígios que sobraram de cada época. É um local com muita história e creio que é por isso que existe tanta arte ali. Outro ponto forte na história da cidade é a concentração de judeus, o que possibilitou um quarteirão de sinagogas e até um cemitério.  

Atualmente a economia da cidade tem maior giro em torno do turismo. Pude perceber muitos ateliês e produções independentes no comércio — lojas e restaurantes.

A população tcheca, assim como a brasileira, tem a tradição de tomar muita cerveja. A comida dos cafés e restaurantes é deliciosa, principalmente os doces e salgados do Café Savoy. Achei os preços bem mais baratos que os de São Paulo.

Por onde eu caminhava, escutava pessoas falando português: havia muitos brasileiros apreciando o norte da Europa durante esse auge de primavera. Percebo, em minhas viagens, que o povo brasileiro é muito querido no mundo inteiro!

O meu “batidão” turístico terminou com um baile de máscaras em um imponente e luxuoso castelo. No convite da festa estava escrito que era um baile de Carnaval. Jantei ao som de uma orquestra no fino do jazz e depois o DJ esquentou a pista com os pops. A pista de dança ficou lotada e a festa acabou com todos satisfeitos e cansados!

Voltei para o Brasil no dia seguinte, mas confesso que estou ávida para viajar novamente! Sempre que retorno, eu percebo que o conhecimento que adquirimos a cada viagem vale muito: uma fortuna que ninguém pode nos roubar!