Férias na Grã-Bretanha

Meu filho está fazendo High School em Oxford. Quando a saudade apertou, decidi visitá-lo, no final do ano passado. Não conhecia a Grã-Bretanha e montamos um roteiro para aproveitar ao máximo meu mês de férias!

Desembarquei no aeroporto de Heatrow, em Londres, no dia 7 de dezembro. Meu filho me pegou no aeroporto e, depois de uma noite em Londres, fomos para Oxford bem cedinho, de táxi. A primeira coisa que me chamou a atenção em Oxford foi a quantidade de músicos de rua. Em cada esquina, um show: coral, infantil e adulto, músicos tocando diferentes instrumentos e gêneros.

Oxford é um polo estudantil e a cidade é totalmente preservada. Com a iluminação difusa, torna-se um convite para lembrarmos de inúmeros filmes, como Harry Potter, Senhor dos Anéis, entre outras fábulas encantadas, filmadas no local. Fiquei hospedada por seis dias em um hostel, num quarto, sozinha, ao preço de 40 libras/dia, com direito a café da manhã.

Estranhei muito as bicicletas sem cadeados, encostadas pelas ruas, sem a ameaça de serem roubadas. As pessoas usam esse meio de locomoção, pois a cidade é pequena e plana. Outra coisa que notei e causou má impressão foi a quantidade de crianças de 10, 12 anos fumando cigarro pelas ruas; meu filho já havia me contado, mas não acreditei que fossem tantas.

Como bióloga, não podia deixar de visitar o Jardim Botânico de Oxford. Como era inverno, as plantas não estavam em seu esplendor, mas deu para perceber que o local é muito bem cuidado e que na primavera deve ser maravilhoso! 

O mercado municipal da cidade, bem menor que o nosso, também é uma visita imperdível; dá para passear o dia sem gastar muito.

É notório que a comida inglesa não é lá “essas coisas”… Tive um tremendo desejo de comer uma comida brasileira. E não é que encontrei um restaurante cujo proprietário é carioca, no Centro de Oxford, e onde pude comer, por 4 libras (cerca de 18 reais), um belo prato de arroz, feijão, farofa e bife?

De Oxford fui de ônibus para Liverpool, a cidade mais musical do mundo e onde há uma mistura do moderno e antigo. O hostel em que fiquei, o Hatters, me deu a impressão de voltar à Idade Média. São mais de 500 quartos, com pessoas das mais diferentes nacionalidades, que se encontravam no salão de convivência, único local onde era possível acessar a internet. Fui no museu dos Beatles — para quem é fã da banda, reserve o dia inteiro! Visitei vários museus, a catedral católica, maravilhosa, e a anglicana. A cidade, que fica a beira-mar, recebeu uma grande reforma no cais do porto. Destaco a Doca Albert, onde há vários museus e restaurantes. Na cidade, fui a várias feiras de Natal e pude experimentar comidas e bebidas do mundo inteiro, vendidas em pequenas barraquinhas.

De Liverpool fiz alguns passeios para Manchester e Chester. Manchester é uma cidade industrial, mas Chester é apaixonante: foi construída entre muralhas, parte pelos romanos parte pelos anglo-saxões. Lá está o segundo relógio mais visitado da Grã-Bretanha e as casas, em estilo normando, muitas delas construídas fora da muralha. A cidade é superpreservada, e nela podemos sentir a história ao passear pelas ruínas com inscrições do período romano. 

Em Chester conheci uma igreja linda, de São João Batista; durante seu restauro, descobriram várias relíquias, hoje expostas aos visitantes. A Catedral da cidade também é linda, e vi uma exposição de árvores de Natal feitas por entidades assistencialistas locais. 

De Liverpool fui para Edimburgo, que, para mim, foi o destino mais especial de todos. Estava meio apreensiva, pois reservei um hostel pela internet e, como chegamos à noite, não tinha ideia de onde estávamos. Mas, ao acordar, tive uma maravilhosa surpresa: de minha janela pude avistar uma praça com um belíssimo castelo. A paixão começou aí, pela cidade antiga, refinada e misteriosa. 

O castelo de Edimburgo domina a paisagem e é visto de onde você estiver — o metrô passa na Princess Mall, embaixo do morro do castelo. No castelo, há cinco museus e, no caminho, uma loja onde é possível degustar vários tipos de whisky. Da Castle Rock Street, com inúmeros pubs, restaurantes e lojas, é possível ver, de um lado, o castelo de Edimburgo e, do outro, a via que leva ao palácio de verão da rainha, o Holyroodhouse.

Voltei para Londres, onde fiquei mais 12 dias, conhecendo os diversos pontos turísticos: London Eye, o Big Ben, o Palácio de Buckingham, a Abadia de Westminster, a London Bridge e a feirinha do Camden Town, o Museu de História Natural, o passeio de barquinho pelo Tâmisa, entre outros passeios inesquecíveis. 

Voltei maravilhada com tudo o que vi, e o que pude perceber é que, em todas as cidades que visitei, são valorizados espaços abertos, praças, obras de arte e edificações antigas, que servem para lojas, supermercados, serviços e moradias. Bem diferente de nossa cidade e bairro, onde cada vez mais nossa memória é destruída em prol da modernidade. Modernidade?