Campos do Jordão – Você acima de tudo!

Esse é o slogan que podemos ler espalhado pela cidade, que fica a 180 km da capital, a 1700m de altitude, encravada na Serra da Mantiqueira.

Depois de vários anos morando na Vila Mariana, recebi um convite de um ex-colega de colégio para trabalhar em suas fábricas de chocolate e geleia em Campos do Jordão. Aliás, é a única fábrica que produz o chocolate na cidade – as outras o trazem de fora, apenas derretedo-o e moldando-o na cidade.

Fazia muito tempo que eu não ia para Campos do Jordão. Pelo menos, uns 25 anos. Com as indústrias crescendo e a infraestrutura de informática obsoleta, meu amigo tinha interesse em profissionalizar os departamentos da empresa, contratando profissionais mais qualificados – o que é difícil encontrar na cidade. Fui conhecer as empresas, e me encantei pela cidade. Em 30 dias, já havia pedido demissão na empresa onde trabalhava e, quando me dei conta, estava em Campos do Jordão.

Durante as primeiras semanas, fiquei em hotel até encontrar um apartamento na cidade e fazer minha mudança por completo. Tudo era novo para mim. A experiência de morar sozinho em outra cidade, numa empresa nova, sem conhecer praticamente ninguém. Comecei a procurar um apartamento. Descobri que a coisa mais difícil é encontrar um para alugar. Existem poucas opções na cidade e a maioria é alugada para temporada e finais de semana, já mobiliados.

Ao mesmo tempo em que começava a conhecer a cidade como morador, também tinha aquela curiosidade, como um turista qualquer, de visitar seus atrativos. A primeira coisa que me veio à mente foi o badalado centro de Capivari. Campos do Jordão tem três bairros principais (os mais conhecidos): Abernéssia, Jaguaribe e Capivari. Abernéssia concentra o comércio mais popular, serviços públicos, bancos, supermercados etc. É onde o jordanense circula. Jaguaribe é o bairro que fica entre Abernéssia e Capivari e que possui algum comércio e várias residências. Capivari é a atração turística principal, com o Morro do Elefante e seu teleférico, a famosa Calçada do Chope, onde ficam os bares mais importantes da cidade, como o Baden Baden. Não se visita Campos do Jordão sem passar por lá.

No Capivari estão também os shoppings, muitos restaurantes, hotéis, pousadas e estação de trem, de onde parte o bondinho que cruza a cidade até o portal e a linha que vai até Santo Antonio do Pinhal – cidade vizinha a Campos.

A gastronomia é outro ponto forte no turismo da região. E se o frio estimula o apetite, essa é a justificativa para tamanho sucesso. São diversos restaurantes, desde o básico para o almoço do dia a dia, até os mais sofisticados, os especializados em fondue, as cantinas, pizzarias e, claro, as lojas de chocolate artesanal.

Trabalhar em uma fábrica de chocolates é uma experiência muito agradável e que deve fazer inveja a muita gente – o cheiro invade a fábrica toda. Mas não pense você que dá para comer chocolate o dia todo. Só de vez em quando, principalmente quando algum novo produto está sendo desenvolvido, e pedem minha opinião.

Andando pela cidade, a pé ou de carro, notamos muitas diferenças com relação à capital: na cidade, não existem semáforos. Os motoristas respeitam a faixa de pedestres como na Europa. Os que não respeitam, pode-se ler na placa do veículo de onde são. As calçadas geralmente são floridas, e canteiros de amores-perfeitos e hortênsias dão a cor à cidade. Ladeando a linha do trem que corta a cidade de ponta a ponta, uma ciclovia permite o trânsito seguro de ciclistas. Há muitos atrativos turísticos para quem gosta de natureza: passeios de quadriciclo, subida à Pedra do Baú, cachoeiras, bosques…

Quando acordo pela manhã e abro a janela do quarto, vislumbro uma linda paisagem, composta por araucárias e diversos tipos de pinheiros, com uma jardineira de gerânios sob a janela.

Mês passado, pude conhecer o Carnaval da cidade. Em dois dias de folia, os blocos dos bairros desfilam pela avenida principal. Não são “escolas de samba”, mas grupos organizados de moradores. Tem até carros alegóricos. Depois do desfile, a população se encontra na “Praça do Gazebo” para uma micareta. A animação fica aos cuidados da Mr.Jingle, banda local que faz a festa dos jordanenses, com muita competência.

Em janeiro, na Praça São Benedito, no Capivari, assisti a dois shows muito bons na concha acústica: da dupla gaúcha Kleiton e Kledir e do Ritchie – aquele cantor da Menina Veneno. Foram apresentações de pouco mais de uma hora, mas onde era possível estar a poucos metros dos músicos, sem grades de isolamento nem policiais ou seguranças fazendo a separação entre público e astro. Ao final, sessão de autógrafos e fotos com os artistas!

Nunca passei uma temporada de inverno aqui, mas estou me preparando para o frio que promete e pela invasão de turistas, que agitam a tranquila cidade, tornando-a um pouco mais parecida com a nossa querida São Paulo.