Argentina e Chile

Uma mescla de cultura, arquitetura e belíssimas paisagens naturais que paralisam os olhos, principalmente os de turistas, compõem a identidade de Argentina e Chile, dois encantadores países que decidi conhecer nestas férias.

Eu e minha mãe iniciamos nosso passeio por Buenos Aires, com seus 3 milhões de habitantes, por meio de um city tour que percorreu a cidade, incluindo a Plaza de Mayo – marco zero de Buenos Aires, cercada de edifícios de arquitetura antiga, entre eles a famosa Casa Rosada, sede do governo argentino, e a Catedral Metropolitana, cujos belíssimos traços arquitetônicos me lembraram as monumentais obras gregas — e o Teatro Cólon — um dos teatros líricos mais importantes do mundo. O centro é repleto de construções antigas e bem conservadas.

É possível identificar o charme e o estilo europeu presente na cidade, em razão principalmente da influência dos colonos europeus, mas também é acentuada a desigualdade social presente na capital argentina, cuja zona norte é habitada pela classe alta, extremamente desenvolvida (lembrando-me inclusive o estilo das ruas italianas), e a zona sul é habitada por uma população menos desenvolvida economicamente. Um dos destaques localizados no extremo sul da cidade é o bairro La Boca, composto pelo Caminito, repleto de casas coloridas e lojinhas com artigos da cidade. 

Outra atração, localizada no bairro da Recoleta, é a Flor de Aço, uma enorme escultura metálica em formato de flor feita pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano, cujas pétalas se abrem e fecham automaticamente por meio de acionamento elétrico. Encerramos o dia passeando pelo centro e tirando algumas fotos ao redor do Obelisco, principal cartão-postal da metrópole.

No segundo dia saímos de Buenos Aires rumo à cidade de Tigre, na Grande Buenos Aires, com seus cerca de 13 milhões de habitantes. Lá fizemos um delicioso passeio de barco pelo Delta do Rio Paraná e conhecemos algumas das mil ilhas da região — ocupadas por moradores que têm acesso a telefonia, internet, educação, hospital, entre outros serviços. Para se locomover os habitantes da ilha navegam de barco até o local desejado. As crianças vão à escola em lanchas coletivas que passam de casa em casa para levá-las à instituição. Nosso almoço nesse dia foi a bordo do Rio de La Plata, por meio de uma nova embarcação que partiu do Puerto Madero, em Buenos Aires. 

Quem vai a Buenos Aires não pode deixar de apreciar um espetáculo de tango. Fechamos o dia com chave de ouro na casa Señor Tango, uma das mais famosas da cidade, num espetáculo de dança ao estilo da Broadway, com cavalos de verdade, dançarinas que parecem voar pelo palco e um final emocionante em homenagem a Evita Perón, líder política que marcou o populis-mo argentino. Recomendo provar a parrilla argentina, deliciosa carne assada fartamente servida nos restaurantes de Buenos Aires, além dos suculentos alfajores, tão populares na região. 

No terceiro dia de nossa viagem fomos a Santiago, habitada por mais de 6 milhões de pessoas. Nosso deslumbre pela capital chilena iniciou-se antes mesmo de descermos do avião, pois assim que este se aproxima do aeroporto já é possível ter uma maravilhosa visão da Cordilheira dos Andes emoldurando a cidade. Assim como em Buenos Aires, o centro de Santiago é repleto de edifícios antigos e uma arquitetura de alta influência europeia. Logo que chegamos, fomos subir os degraus do Cerro Santa Lucía — colina repleta de jardins que abriga o castelo feito pelo último governador do Chile Colonial, de onde é possível ter uma bela vista da Cordilheira. 

No dia seguinte logo pela manhã fizemos um city tour pela capital chilena, com destaque para o Palácio de La Moneda, sede da presidência do Chile. A cada 48h ocorre uma bela cerimônia de troca de guarda em frente ao palácio, a qual pudemos acompanhar assim que chegamos ao local. Também passamos pela Plaza de Armas, considerada o primeiro centro político, social e econômico de Santiago, repleta de edifícios simbólicos, como o Correio Central e a Catedral de Santiago. Ainda visitamos os sofisticados bairros da cidade com seus inúmeros prédios modernos e diferenciados.

À tarde, visitamos uma das diversas vinícolas chilenas: a Undurraga, com sua imensa videira, onde entendemos melhor o processo de produção do vinho, além de degustarmos quatro tipos diferentes dessa bebida, um dos destaques internacionais do país, sem contar os deliciosos alfajores, também vendidos no Chile. 

Em nosso último dia de viagem deixamos Santiago e partimos para Valparaíso, Patrimônio Cultural da Humanidade. Antes considerada um dos principais centros comerciais do país, em razão da exploração de ouro à época da colonização, e escala obrigatória das rotas marítimas que vinham às costas e ilhas do Oceano Pacífico, em 1906 um terremoto deixou um saldo de 3 mil mortos na região e diversos prédios destruídos. Hoje há muitos desempregados e a maioria da população é de classe economicamente baixa. Em seguida partimos em direção a Viña Del Mar, que, ao contrário de Valparaíso, é um luxuoso balneário cercado por praias, cassinos, castelos e prédios suntuosos à beira do Oceano Pacífico, cujas águas são geladas.

Encerramos nossa viagem no Parque Metropolitano de Santiago, onde subimos por um funicular o Cerro San Cristóbal, de cujo topo é possível avistar toda a capital chilena emoldurada pela Cordilheira dos Andes. Simplesmente de paralisar os olhos!