A inesquecível Cidade do México

Fomos para o México com um grupo de 20 pessoas, em um mês de julho, época de verão por lá. Desembarcamos na Cidade do México, com o propósito de ir direto para o balneário de Los Cabos, mas, na última hora, eu e minha irmã decidimos ficar na Cidade do México. Consegui o endereço de um hotel, onde alguns colegas já haviam se hospedado, mas estava lotado e nos indicaram outro local, no centro da cidade, na Plaza de la Constitución, ou Quadrado de Zócalo, como é popularmente conhecida. Com 56 mil m², é uma das maiores praças do mundo. 

É nesse lugar imenso, cuja arquitetura é muito parecida com a do centro de São Paulo, que fica o centro do poder do México e todos os símbolos históricos, políticos e sociais do país: a Catedral Metropolitana e os palácios do Governo e da Justiça. Assim que chegamos, nos deparamos com uma roda de índios dançando no meio da praça, e quando eu me dei conta já estava participando da roda, com as pessoas que também estavam no local. 

A Cidade do México é imensa, bem maior que São Paulo, e tudo lá é exageradamente grande, passando a impressão de infinitude. Ela abriga cerca de 20 milhões de habitantes, é a 2ª maior cidade do mundo e tem 22 milhões de automóveis, o que torna o trânsito caótico, mesmo tendo uma extensa linha de metrôs, trens e transportes públicos. Se não existisse um transporte público tão abrangente, seria inviável viver numa cidade dessas; quando as linhas de metrô acabam, são complementadas com a rede de trens. 

A noção espacial é tão diferente que cada quarteirão corresponde a três dos de São Paulo, com cerca de 800 m. Portanto, quando os mexicanos informam que um local fica após três quarteirões, a distância é bem maior, se usarmos São Paulo como referência. Tudo tem grandes proporções, e isso tem reflexo direto nas artes. Muitas obras são feitas por artistas de rua, e as características dos trabalhos têm influência do estilo neoclássico. 

Os palácios têm as paredes inteiramente pintadas com obras que contam toda a história do México. É muito visível o fato de que são várias histórias que se sobrepõem, pois, à medida que as pesquisas vão se desenvolvendo, civilizações antigas vão sendo descobertas e restauradas.Muitas delas, principalmente as localizadas no centro, possuem sítios arqueológicos, já que durante as obras de escavação para a construção do metrô, muito do passado ia sendo descoberto. A preservação é tanta que as estações do metrô foram desviadas e construídas ao lado das descobertas. Por essa razão, é muito comum a pessoa andar de metrô tendo uma obra ou sítio arqueológico ao lado, e isso torna a cidade ainda mais rica artisticamente; os mexicanos têm muito orgulho de contar sua história. 

A Cidade do México também é bastante agitada e oferece opções de shows, música e artes. É uma cidade altamente poluída, mas arquitetonicamente linda. A geografia da área é muito plana e a perder de vista, por isso dá para ver que a cidade vai se reproduzindo nas periferias, interligando-se. Outra característica são os parques imensos e as ruas bem arborizadas. 

Museologicamente, os mexicanos são incríveis no desenvolvimento de técnicas e pesquisas, localizando todas no tempo, apontando a que civilização cada uma pertenceu. Isso acontece porque as civilizações se sobrepõem, sendo possível encontrar lugares de sacrifício e maquetes que são usadas como referência. 

Visitamos o Museu da Frida Kahlo, que fica na própria casa da artista, onde ela construiu uma pirâmide, pois teve uma época em que não podia mais se locomover. A Cidade do México ainda tem a feira de artesania, com peças muito coloridas e que retratam os muito pueblos que o país abriga e abrigou na sua história. Há também muitos museus, um deles é o do Diego Rivera, que conta toda a história dos muralistas e da revolução. 

A revolução aparece em todos os momentos da arte mexicana, muito presente na arquitetura do lugar. Sempre há uma história relacionada à invasão espanhola ou ao conquistador Hernán Cortés, figura histórica controversa, que marcou muito todas as revoluções que o povo teve de enfrentar e enfrenta até hoje. Todos os museus são bem preparados e recebem bastante público. O museu de antropologia é um exemplo de perseverança na história e cultura. 

Falar da comida mexicana é algo mais pessoal e sutil, mas eu amei o tempero e os ingredientes com milho.Tudo tem muita pimenta: mesmo quando a pessoa pede sem pimenta, a comida vem apimentada; até as saladas de frutas, que são vendidas nas ruas em copos, vêm com um pozinho condimentado para adicionar. Vale destacar um bairro boêmio, Condessa, uma Vila Madalena mexicana, com bares dos mais variados estilos musicais. Uma oportunidade para experimentar as bebidas típicas, como margaritas, tequilas e mojitos. 

São muitas as opções de passeios próximos à Cidade do México: Teotihuacan, onde estão as pirâmides astecas do Sol e da Lua; Xochimilco, ao Sul, conhecida como terra das flores, com uma extensa rede de canais e onde antigas tradições são mantidas — vimos barquinhos mexicanos todos coloridos. E Los Cabos, localizado no extremo sul da Baja California, um balneário lindo, seco, todo de pedras com paisagem lunar; entre muitos outros. Mas isso são outras histórias…