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Dicas e Delícias

Comer poesia!

Cozinhar com amor e paixão é um ato poético! Para o poeta Ferreira Gullar, a poesia não tem nenhum valor de mercado, mas o que lhe é atribuído, pelo que representa em nossas vidas, está fora do valor monetário, e, sim, nos valores humanistas e da arte.

Para mim, todas as artes têm seus prazeres, para quem a faz e para quem pode usufruir dela, como escrever poesia, compor uma canção, ler um bom livro, ver um belo filme, ouvir uma boa música, assistir a uma peça de teatro, cozinhar, comer e beber; todos prazeres de uma vida bem vivida!

Muitos poetas exaltaram a comida e o vinho, escrevendo poemas e odes à gastronomia. Entre os muitos escritores, o poeta chileno Pablo Neruda escreveu várias odes: ao tomate, à cebola etc… De ingredientes tão simples ele fez poemas doces e delicados.

Já o poeta gaúcho Mario Quintana escreveu: “Não coma a vida com garfo e faca, lambuze-se!” Ele era louco por um cafezinho, tomava muitas xícaras por dia, e também adorava doces, frutas — e tinha um senso de humor muito próprio. Um poeminha dele: “Tua saudade tem gosto de amora, o teu beijo tem gosto de pitanga”.  O doce Quindim era o seu preferido, sempre acompanhado de um cafezinho preto.

O mais incrível de todos os escritores brasileiros, Jorge Amado, construiu suas histórias com muita importância às comidas e bebidas baianas, uma culinária rica em todos os sentidos. Em seus romances sempre temos referências à culinária. Ele deu de comer a seus personagens com sensualidade e romantismo. Sua filha Paloma escreveu um livro baseado em suas obras: A comida baiana de Jorge Amado. 

Em um livro póstumo, Vinicius de Moraes discorre sobre suas incursões na cozinha. Em Pois sou um bom cozinheiro – receitas, histórias e sabores da vida de Vinícius de Moraes, há textos, poemas e receitas de boas comidas que o poetinha adorava fazer e comer. Para dar água na boca, reproduzo aqui uma receita do livro: Cheiro de bons-bocados assando.

Bom-Bocado

Ingredientes:

1 lata de leite condensado; 4 ovos (passe as gemas na peneira, para o bom-bocado não ficar com cheiro forte de ovo); 4 colheres (sopa) de manteiga derretida; 3 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada; 1 coco fresco ralado; 1 colher (chá) de fermento em pó e canela em pó a gosto para polvilhar. 

Preparo: 

Pré-aqueça o forno em temperatura média (180 graus). No liquidificador, coloque o leite condensado, os ovos, a manteiga, a farinha, o coco fresco ralado e o fermento. Bata até obter uma mistura bem homogênea. Despeje em forminhas de papel, que deverão estar dentro de forminhas de empada (ou em uma forma de pudim untada com manteiga), e polvilhe com canela. Leve para assar, em banho-maria, por aproximadamente 40 minutos. (10 unidades)

Maria Helena Serrano é chefe de confeitaria 

desde 1994,  frequentou a École Lenôtre em Paris 

e é proprietária da Quinto Pecado Café Bistrô 

Rua Cel. Artur de Godoi, 12. www.quintopecadodoces.com.br

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