É o bicho!

Os lares brasileiros possuem muito mais cachorros do que crianças.

            É o que dados levantados pelo IBGE em 2013 e divulgados em 2015 revelaram ao mostrar que, de cada 100 famílias brasileiras, 44 possuíam cães e apenas 36 eram habitadas por crianças de até 12 anos. Se formos considerar a quantidade de gatos, aves e outros bichos de estimação, essa diferença fica ainda mais significativa. Ainda mais porque essa pesquisa já foi feita há alguns anos e a variação só deve ter aumentado em virtude do crescimento no número de adoções de animais para diminuir a solidão provocada durante a pandemia.

            A difusão de medidas contraceptivas e o impacto do custo de vida vêm reduzindo as taxas de natalidade do país. Quando ocorre a gravidez, esta tende a acontecer cada vez mais tarde. Enquanto isso, os animais domésticos estão cumprindo a missão de oferecer uma companhia leal que cabe mais no bolso e exige menos esforço na criação.

            Mesmo com esse cenário, assim como os pais despreparados para cuidar de filhos, também existem os tutores inabilitados para cuidar de bichos: junto com a subida das adoções avançou a quantidade de abandonos logo que a família adquire a real noção das necessidades que o animal demanda.

            Apesar desse descaso ainda bastante comum, os bichos que encontram um lar acolhedor estão se tornando mais do que companheiros: viram verdadeiros membros da família.

            Petiscos gourmet, acessórios, roupinhas, festas de aniversário. Os mimos ganham possibilidades tão diversas que os donos podem se atentar mais às vidas de seus filhos de quatro patas do que com as próprias.

            Claramente esse tipo de abnegação não deve ser esquecido no tratamento entre humanos de modo que a dor do próximo também seja nossa dor. Contudo, a extensão das relações de amor junto aos animais nos leva a novas compreensões de holismo. Ou seja, adquirimos a noção de que todo ser vivo faz parte do mesmo cenário da existência e por isso também merece ser respeitado pela alma que ostenta.

            Chico Xavier dizia que os humanos possuem uma função tão relevante no auxílio do progresso espiritual dos animais quanto os anjos possuem para conosco. É uma doação de si para que os sentimentos mais nobres de empatia, confiança e generosidade sejam compartilhados e propiciem a evolução de quem recebe e de quem doa também.

            Esse é um primeiro passo. Reconhecer e respeitar o espírito dos animais para então se passar a enxergar a alma presente nos vegetais e depois nos minerais. Até surgir a percepção de que tudo possui a mesma origem, a mesma fonte de vida. Somos todos poeira das estrelas, como diria Carl Sagan.

            Por isso, os animais domésticos representam muito mais do que o companheirismo e a plena entrega que demonstram: são os degraus necessários de uma relação mútua para que possamos ter uma visão cada vez melhor do todo.

Fontes:

https://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/09/opinion/1433885904_043289.html

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/03/10/animal-de-estimacao-como-filho.htm

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-10/adocao-e-abandono-de-animais-domesticos-aumentam-durante-pandemia

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