A adolescência na atualidade

A adolescência é uma fase diferenciada na vida de qualquer indivíduo. Do mesmo modo que submergem várias emoções ao mesmo tempo, muitas vezes os jovens buscam o colo dos pais, procurando aquele afago que tinham em criança. Ocorre que, em dados momentos, falta pais (ou responsáveis) que consigam ouvi-los de verdade e entendê-los. 

A primeira coisa que sugerimos, é que pensem na sua própria adolescência…

Deem um tempo para isso e com certeza, lembrarão de situações difíceis, onde a parte hormonal falava mais alto que a razão. Quantos de nós nos arrependemos de coisas que gostaríamos de não ter feito, mas que fizeram parte da nossa história de vida e que nos ajudaram a criar a identidade que carregamos até hoje?

Os limites, claro, têm que ser muito bem delineados. Aquela célebre frase “Meu limite acaba, quando o seu começa” é fundamental na juventude. Mas críticas e imposições descabidas de nada ajudarão aquele jovem que vive uma constante ambivalência de sentimentos. E não tão diferente da infância, vai testar os pais em dadas situações.

Outro dado importante é com relação aos nossos próprios desejos – que comumente descarregamos nos nossos adolescentes. Queríamos ser médicos, engenheiros, pessoas supostamente respeitadas na sociedade (status quo), porém, por algum motivo, tivemos que deixar para trás nossas melhores intenções de vida. Então, depositamos nos filhos essas expectativas, esquecendo que cada um tem os seus talentos e tendências, além dos próprios sonhos. Portanto, não adianta impor ao outro, o que não é dele.

Muitos pais induzem seus filhos a segui-los, seja na profissão que for. Ledo engano! Falas como: ¨Deverá ser comerciante como eu, afinal de contas, não terá que se preocupar em montar seu próprio negócio”, ou “Meu consultório está montado, é só minha filha me seguir” levam ao grande perigo de que seus filhos possam passar a vida, até com certo conforto, mas longe em se sentirem felizes e satisfeitos com suas opções profissionais. 

Obviamente, muitos adolescentes têm dentro de si o dom, por exemplo, para vendas, ou para enfermagem, médico, psicólogo, etc. Nada demais, se tiver um “empurrãozinho” da família. Mas desde que tenha a influência tenha acontecido de forma menor do que a percepção de seu dom, realizando-o com alegria e sucesso.

Nem todos os pais têm condições de custear uma orientação profissional para seus filhos, mas, mesmo assim, em clínicas-escola existem serviços sérios que podem ser feitos. Existem,  inclusive,  alguns voltados à Escolas Públicas.

A adolescência hoje, tomou um outro norte, se compararmos com jovens de 30 anos atrás. Não temos mais como deixar de lado o aumento substancioso de drogas psicoativas, que podem ser adquiridas facilmente em qualquer bairro. Uma realidade que, até alguns anos atrás não preocupava tanto a saúde pública, na atualidade, se vê frente a estatísticas assombrosas, recaindo em todos os níveis socioeconômicos.

Ainda vislumbramos indivíduos fazendo apologia ao álcool, como se ele não fosse “uma droga”. A única diferença é que é lícita e, portanto, é aceita socialmente. Tivemos a oportunidade, num dado voluntariado que fizemos, de ter contato com gestantes, todas muito jovens, cuja história de vida remonta ao uso precoce de drogas lícitas e ilícitas. No histórico, não incomum, terem sido criadas com bebidas alcoólicas ao seu redor, muitas faziam narrativas de “chupetas embebidas em aguardente”. Dali em diante, dá para imaginar o que aconteceu em suas histórias de vida. Histórias reais e muito tristes.

Beber socialmente é uma coisa, beber demasiadamente estraga lares, deteriora famílias. 

Precisamos buscar ajuda ao jovem que, nas festas (ou em casa) começa a ter contato com o uso dessa droga, para não criar dependência. Aí surge um grande problema social. Essa busca desenfreada (ou seja, a dependência) vem, quase sempre, por um vazio, uma dor, que nem sempre consegue ser expressada. E que muitas vezes é mal interpretada. Além, claro, de questões genéticas. 

Tanto para drogas lícitas, quanto ilícitas, a dependência cria pais (ou responsáveis) codependentes, que terão que se socorrer em grupos de apoio. Estes muito eficazes para a família como um todo. 

Internações, só em casos mais graves, normalmente com comprometimento cerebral.

Muitas situações poderiam ser prevenidas se houvesse uma observação atenta aos filhos. Às vezes, a criança com hiperatividade e déficit de atenção, se não tratada, poderá, pelo sofrimento psíquico, buscar outras formas de compensação quando crescerem um pouco mais e se tornarem jovens. Por exemplo, no uso abusivo de drogas.

Não incomum na atualidade, o uso de drogas medicamentosas tarja preta, são utilizadas sem prescrições adequadas, criando também dependência. 

Além, claro, da dependência da internet, muitas vezes incentivada pelos pais que, desde a mais tenra idade, deixam seus filhos usarem seus celulares. À medida que crescem, exigirão cada vez mais, novas tecnologias. O excesso de jogos digitais, videogames, etc., também pode criar dependência.

Além disso, um aspecto importante é o da sexualidade, que precisa ser discutida e conversada, independente da Escola. Ainda vemos adolescentes sem informação adequada para prevenção de gravidezes indesejadas, doenças sexualmente transmissíveis, etc. Mesmo em meios culturais mais elevados. 

E se pensarmos no momento da pandemia? Quantos jovens se colocam em risco? Muitos que ainda insistem em ir a bailes funks, pagodes, etc., trazendo o vírus para dentro de seus lares, contaminando não só a si, como àqueles ao seu redor.

Soubemos de um aumento vertiginoso de bebidas alcoólicas nesse período pandêmico. A facilidade do sistema de delivery, dá uma facilidade maior ao acesso de bebidas, sem um controle de idade. A consequência disso já está sendo sentida nesse um ano e três meses de isolamento social.

Há aumento na incidência, não só do surgimento de doenças psíquicas (depressão, ansiedade, pânico), como também, e infelizmente, de suicídios. Além do número maior de automutilações.

Os pais têm que buscar ajuda rápida, seja indo a um posto de saúde, ou rede privada. Um auxílio psicológico, pode minimizar a cronificação de certos sintomas sendo, portanto, uma ajuda muito bem-vinda.

Nos últimos 20 anos as taxas aumentaram tanto para ideação suicida como para suicídios nos jovens. Muitas pesquisas já vem sendo elaboradas, demonstrando que do ano passado para cá, esses dados se tornaram mais alarmantes. Não só o isolamento como também a crise econômica, a Escola online, separações, brigas familiares, têm contribuído sobremaneira para esse cenário.

O âmago da questão está no núcleo familiar, a não observância de como anda seu filho(a), de quais são seus hábitos, o quanto os responsáveis os induzem a esses hábitos. Os excessos a qualquer custo, excesso de comida, de guloseimas, de internet perniciosa, falta de limites claros e muito bem explicados, do “sim, sim”, “não, não”. 

Os meios de comunicação existem a nosso favor, porém, há que se ter cuidado com o que veem e o que falam. Nossos filhos seguem nossos exemplos. Não adianta jogar a culpa somente no outro. Claro, na formação da personalidade, mostramos algumas tendências (boas ou más), mas sobretudo somos influenciados pelo meio, além daquilo que trazemos. Quantos delinquentes juvenis, quando passam por avaliação psicológica e psiquiátrica, trazem à tona recrudescimentos de violências físicas e sexuais? Com certeza, nas prisões, vislumbramos corriqueiramente casos como esses. Propositalmente, não citamos dados estatísticos nesse texto. Ele foi feito, muito mais para uma reflexão.

Deixamos uma frase marcante de Rudolf Steiner que, através da Antroposofia, discorreu sobre a adolescência: “A nossa mais elevada tarefa deve ser de formar seres humanos livres, que sejam capazes de, por si mesmos, encontrarem propósito e direção para suas vidas”.

Que essa liberdade seja permeada de amor, colaboração, diálogo verdadeiro e a tomada de consciência de que filhos vêm muito mais para nos ensinar, do que nós a eles próprios. Nos espelham e mostram nossas falhas. E, que bom que o fazem, assim nos tornamos pessoas melhores.

Nunca chamem seus filhos de “aborrecentes”, são seres em formação e, assim como nós, trazem muitas coisas boas dentro de si e outras “nem tanto”.

São, portanto, factíveis a erros e acertos, como qualquer ser humano em evolução.

A decisão é nossa! Só nossa!

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