Muito além do churrasco e do chimarrão

“Churrasco e bom chimarrão, fandango, trago e mulher. É disso que o velho gosta, é isso que o velho quer!”. Ao cantar esse trecho da música do Gaúcho da Fronteira, migra-se para a região à qual ela se refere: o famoso estado do Rio Grande do Sul. Pois foi lá, na Serra Gaúcha, onde passei minhas últimas férias. Mas bastam poucas horas no local para perceber que suas riquezas vão muito além do churrasco, chimarrão e fandango, englobando também belíssimas paisagens naturais e uma rica herança cultural e histórica — em 2015 comemoram-se 140 anos de imigração italiana —, fortemente enraizada entre seus habitantes e sempre passada de geração a geração.

Após pousar em Porto Alegre, eu e minha mãe viajamos por duas horas até Gramado. A cidade, com cerca de 34 mil habitantes, situa-se no nordeste do Rio Grande do Sul, região colonizada por imigrantes italianos e alemães que vivem da produção de uvas e do desenvolvimento agrícola.

Como já estávamos famintas (risos), assim que chegamos paramos no primeiro café colonial do Brasil: o Bela Vista, onde o garçom serve uma diversidade de pães, frios, geleias, bolos, salgados, carnes, bebidas e, para encerrar (ufa!), um buffet de sobremesas.

No dia seguinte fizemos um city tour por Gramado, passando pelo Museu de Minerais e Pedras Preciosas — com uma linda coleção de 600 peças, entre fósseis, minerais, pedras preciosas e semipreciosas vindas do mundo inteiro. Depois, conhecemos a primeira fábrica de chocolate artesanal de Gramado, a Prawer. Acompanhamos o trabalho dos artesãos na produção do chocolate e sentimos um delicioso aroma pelo ar que, claro, abriu nosso apetite.

Após a degustação, fomos para a cidade vizinha, Canela, com cerca de 40 mil habitantes. Fomos direto para o Mundo a Vapor — um parque temático com réplicas em miniaturas de siderúrgicas, moinhos de vento, usinas termelétricas, hidrelétricas etc. Um passeio que nos permite conhecer o funcionamento das mais diversas máquinas, graças a miniaturas que reproduzem com perfeição a fabricação de artigos como telhas, papel e outros.

Ainda em Canela, seguimos rumo a um contato mais próximo com a natureza da Serra Gaúcha: a Cascata do Caracol — uma queda- d'água de 131 metros de altura, localizada dentro do Parque do Caracol, e que forma um verdadeiro espetáculo visual. Andamos nos bondinhos do Parque da Serra, que levam os visitantes a uma vista mais do que privilegiada!

Após uma parada para o almoço, fomos conhecer o Mini Mundo, em Gramado, um parque repleto de miniaturas de monumentos e edifícios importantes, como castelos europeus, estações ferroviárias, igrejas, aeroportos e metrôs. Um universo encantador tanto para pequeninos quanto para grandalhões, face à perfeição das réplicas, algumas com seus bondinhos e trens em movimento. Para mim, destacaram-se as miniaturas do Castelo de Neuschwanstein, na Alemanha, e do Museu do Ipiranga, em São Paulo. Duas reproduções magníficas que nos permitem explorar as angulações no momento de tirar fotos e assim até mesmo causar a impressão de estarmos ao lado dos monumentos reais.

No dia seguinte, fomos para Bento Gonçalves, cidade com cerca de 113 mil habitantes, que leva esse nome em homenagem ao líder da Revolução Farroupilha. Durante a manhã, visitamos a Vinícola Aurora, onde pudemos conhecer melhor as etapas de produção do vinho e ainda degustá-lo. Já no período da tarde, embarcamos numa deliciosa viagem no trem Maria Fumaça, passando pelas cidades gaúchas de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa.

Durante o trajeto, que durou aproximadamente uma hora e trinta minutos, além das belas paisagens, fomos contempladas com divertidas e interativas apresentações gaúchas realizadas dentro do trem, levando os passageiros a dançar dentro dos vagões.

Meu último dia na Serra Gaúcha começou com uma visita à cidade de Nova Petrópolis, com cerca de 19 mil habitantes. Colonizada por alemães, a região faz lembrar um pedaço da Alemanha dentro do Brasil, tanto em sua arquitetura, no idioma — o alemão é ensinado em todas as escolas da cidade —, quanto na cultura. Lá visitei o Parque da Aldeia do Imigrante, onde é possível entender um pouco melhor a história da cidade, e o Labirinto Verde, feito de ciprestes de 2 metros de altura, localizado na Praça das Flores, repleta de lindas flores dos mais diversos tipos, que colorem o espaço e formando assim uma bela paisagem.

Um jantar na Churrascaria Garfo e Bombacha encerrou nosso passeio em Canela. Lá assisti a belos espetáculos de danças típicas da região, apreciando as mais diversas especialidades de carnes gaúchas e tomando o típico chimarrão. Essa é mais uma viagem que guardarei tanto na memória quanto no coração: um lugar repleto de pessoas tão animadas e acolhedoras, apaixonadas por suas raízes.