Aventuras Andinas

O Peru abrange uma área de 1.285.216 km², com cerca de 29 milhões de habitantes. Banhado pelo Oceano Pacífico, o país apresenta paisagens diversas: planícies e os picos elevados da Cordilheira dos Andes e a Floresta Amazônica. Foi lá que viveram os incas, um dos povos mais civilizados da América. Sempre tive muita curiosidade de ir ao Peru e com sua economia numa excelente fase, decidi conhecê-lo nestas férias.

Ultrapassando todas as expectativas, o Produto Interno Bruto (PIB) do Peru alcançou 3,26% em 2015, deixando o Brasil no chinelo. Sua atividade econômica é a mineração (prata, cobre, zinco e estanho), a agricultura (cana-de-açúcar, algodão, café e trigo, batata e milho), além de ser o segundo país que mais pesca no mundo e o maior produtor e exportador de farinha e óleo de peixe.

Descobri que há indícios de presença humana na região andina há mais de 15 mil anos e que o povo, de origem multiétnica (ameríndios, incas, europeus, africanos e asiáticos) tem um

alto grau de mestiçagem e são muito patriotas — vimos bandeiras do Peru hasteadas por todo canto.

Eu e o meu namorado Daniel Fornari fomos pela Latam (cerca de 1.800 reais, ida e volta) até Cusco, com uma parada de três horas na capital Lima. Pousamos em Cusco, sob as montanhas do Peru, às 14h do dia 15 de setembro. No caminho até a Plaza de Armas, que fica no centro histórico da cidade, observamos o contraste arquitetônico das construções mais modernas e antigas e deu para ver que o trânsito da cidade é um caos — em qualquer hora do dia!

Decidimos buscar hospedagem em cada um dos nossos destinos, o que foi muito bom, pois os hostels no país são inúmeros, de ótima qualidade e a preços acessíveis.Em Cusco conhecemos o Centro da cidade, com sinais da colonização espanhola, edificações coloniais de estilo barroco, um forte comércio, casas de câmbio, e muitas agências de passeio para o Vale Sagrado, à City Tour e para Salinas. Para todos os pontos históricos com-pramos um único boleto turístico. O que me chamou a atenção no Centro de Cusco foram as moças que ficam com os filhotes de lhamas no colo — se você quiser tirar uma foto com elas terá que desembolsar pelo menos 3 soles, o equivalente a 3 reais. 

Fizemos os passeios mais comuns, mas fomos atrás dos desafios! E deixamos a zona de conforto para conhecer o Cerro Colorado, que fica a mais de 5 mil metros de altitude.  Demoramos em média 7 horas para ir e voltar; a subida é muito íngreme, o ar é rarefeito, o que complica. Não é fácil, mas vale a pena! Cerro Colorado, como os peruanos dizem, é um segredo bem guardado, já que não está entre os tours turísticos mais comuns. Tem esse nome graças a sua montanha de sete cores derivadas por vários tipos de minérios. É uma beleza exuberante, e se você conseguir alcançar o topo terá uma vista esplêndida em meio aos Andes.

No entanto, a maior atração que todos buscam no Peru é Machu Picchu. E há diversas formas de se chegar até lá. Nossa alternativa foi combinar um down hill, rafting, tirolesa, e passarmos por parte da trilha Inca. Foi muito legal chegar a Machu Picchu dessa forma, pois conhecemos aventureiros, como nós, do mundo todo, de várias culturas e idiomas.

Machu Picchu é, provavelmente, o símbolo mais preservado do Império Inca. A aventura começou bem cedo e o caminho até o alto das montanhas durou 3 horas. Na parte que fizemos de bike, a vista é sensacional durante a descida da montanha.

A acomodação foi em modestas casas de família, onde o banho é frio, mas as comidas típicas são muito saborosas. Para compensar o banho gelado, desfrutamos, ao pé de Machu Picchu, dos banhos termais — a melhor maneira de renovar as energias! Nesta vila das termas há diversas atrações com preços para todo tipo de bolso.

Era preciso descansar para encarar a longa subida de outra trilha para Machu Picchu — que pode ser feita de ônibus ou caminhando. Chegamos até a cidade perdida dos Incas, pré-colombiana, bem conservada a 2.400m. Passamos um dia maravilhoso e apren-demos muito da história dessa avançada civilização.

Nesse mesmo dia fomos para Puno, cidade situada às margens do Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo. A atração fica por conta dos Uros, um povo que vive da caça e do artesanato desde 2 mil anos a.C.. Ele vive em ilhas feitas com totoras, um tipo de junco que exige manutenção constante. Conhecemos também a ilha de Taquile, onde nos ofereceram um delicioso almoço à vista do imponente lago Titicaca. Ele é o maior da América do Sul e abriga cerca de 90 ilhas flutuantes, com mais de 300 famílias. 

A população dessas ilhas faz rodízio para receber os turistas e se sustenta por meio de artesanato e de passeios realizados por barcos, também feitos de totoras. Fiquei impressionada ao ver uma criança em Uros pescando muitos peixes por um buraco feito no piso da ilha. 

Partindo para a Bolívia, a saga para chegar ao Salar do Uyuni é uma história a parte. Deu para perceber, ao cruzamos a fronteira, a diferença cultural entre os dois países. 

Chegamos a La Paz durante a tarde. Logo na descida do ônibus, nos deparamos com uma cidade suja e fedida, o que contribuiu para a decisão de irmos à cidade do Uyuni logo pela noite. Foi uma viagem de oito horas em um ônibus muito velho —na Bolívia todos são assim. Chegamos pela madrugada e pessoas das agências, sedentas para fechar pacotes turísticos, nos esperavam.

O famoso passeio para se conhecer o Salar do Uyuni é feito por veículos 4×4 e inclui muito mais do que a maior planície de sal do mundo. As atrações ficam por conta do cemitério de trens, cactos gigantes, o famoso hotel feito de sal e a Reserva Nacional da Fauna Eduardo Avaroa, onde ficam os lugares mais surrealistas da Bolívia, repleto de vulcões, gêiser, deserto e lagoas coloridas.

Terminado o passeio, voltamos a La Paz de ônibus para pegar o avião e regressar ao Brasil. Apesar de não ter sido uma viagem cheia de conforto, nela enriquecemos a nossa cultura, desafiamos os nossos limites e guardaremos para sempre as paisagens.