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Atitude

Cidades em Transição

Leitores, Feliz 2009! – Vamos continuar nossa conversa sobre o Movimento Cidades em Transição, começado no número anterior do Pedaço, com a pergunta que Julie Ferry, do The Guardian, Reino Unido, fez aos seus leitores britânicos: “Será que paramos para avaliar o quanto os combustíveis, principalmente os não-renováveis (fósseis),  afetam o nosso modo de viver e o que faríamos sem eles no horizonte de 15 anos?” Em tempos de aquecimento global e de pico do petróleo assombrando os mercados europeus, americanos e asiáticos, como nós brasileiros podemos redesenhar nossas vidas e se preparar para uma matriz energética mais limpa, que não consuma os recursos naturais e não cause um impacto negativo no Planeta? Cada vez mais devemos nos colocar no centro dessas reflexões, visualizando, projetando e usando formas de energia de baixo impacto.
 

Em resposta ao duplo desafio do Pico do Petróleo e da Mudança Climática, algumas comunidades pioneiras na Grã-Bretanha, Irlanda e outras localidades assumiram uma abordagem integrada e inclusiva para reduzir suas pegadas de carbono e aumentar sua capacidade de resistir à mudança fundamental que acompanhará o Pico do Petróleo.  Antes que o petróleo chegue ao fim, certamente devem ser encontrados substitutos para as necessidades humanas de energia. Mas não deixa de ser motivo para reflexão o fato de o homem ter esgotado, em dois ou três séculos, o que a natureza levou até centenas de milhões de anos para criar.
 

Outra pergunta é: quem deve fazer essa mudança? Os governos ou as pessoas?
Quem tem a capacidade de efetivar as mudanças e promover transformações no modo de vida são as pessoas, uma vez aceitando o desafio, têm a capacidade de colocar em prática no seu dia-a-dia. Como diz Rob Hopkins, percussor do movimento no Reino Unido, “cabe a nós, em nossas comunidades locais, assumir uma posição de liderança nesse campo”4.
 

O que seria um modelo de transição? São princípios e ações definidas, a partir das experiências de uma determinada comunidade, buscando a resiliência local e uma redução das emissões de carbono. Assumir um modelo de transição requer: a consciência de que as mudanças climáticas e pico do petróleo requerem uma ação imediata; que um modo de vida baseado em menos energia requer um plano; atenção relativa a perda da resiliência e dificuldade de lidar com o impacto da energia; uma ação conjunta e imediata; consciência dos recursos finitos do Planeta; uso das habilidades e inteligência para negociar um caminho descendente de energia; e a clareza de que o planejamento e ação em tempo hábil, aliado à criatividade e cooperação da nossa comunidade, pode levar a um futuro mais pleno e rico com respeito ao meio ambiente.
Inspirados nos 12 passos observados nas experiências acumuladas do movimento de Cidades em Transição, o Ecobairro é um Programa que está preparado para promover o aumento da sensibilização dos moradores do bairro e da cidade, formar uma rede com ativistas e grupos já existentes no bairro, formar grupos de trabalho e organizar uma capacitação, promover atividades práticas ligadas à permacultura e encontros de Espaços Abertos (Open Space). Para iniciar o processo, nesse sentido, está agendada uma programação de filmes e documentários ligados aos desafios e potencialidades urbanas em nossa sede.
 

Outro eixo de trabalho, importante do movimento, é estar junto com os promotores de políticas públicas, criando interlocução com o governo local, principalmente junto à subprefeitura de Vila Mariana e com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, colaborando nos avanços na direção de uma transição, principalmente através do Conselho de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Cultura de Paz, que está sendo regado.
Uma das premissas do movimento está baseada no respeito, principalmente aos idosos. Acrescentamos a isso também um respeito profundo às crianças que são a próxima geração dando uma atenção especial à sua formação.
 

O objetivo principal, e resultado das premissas expostas, é o de criar e implementar um Plano para o Declínio de Energia baseado no talento criativo da comunidade e, seguindo os critérios básicos de Design (planejamento), visando desenvolver a resiliência da vizinhança e a reduzir a pegada de carbono. Em paralelo ao movimento Cidades em Transição e também visando a preparação de pessoas para redesenharem suas realidades, estamos entrando no quarto ano do Curso Educação Gaia – Design em Sustentabilidade , as inscrições estão abertas na UMAPAZ – Parque do Ibirapuera. Vejam maiores informações no site: www.redegaia.net.
Para inspirar os moradores do bairro da Vila Mariana, encerramos este texto nas palavras de Joanna Macy: “Temos de encontrar uma maneira de viver neste planeta sem fechar os olhos para o que estamos fazendo.”

Lara Freitas e Paullo Santos – Coordenadores do Ecobairro – O Planeta é a nossa Casa. www.ecobairro.org.br