Por que o emocional se encontra doente?

O ser humano é notoriamente um indivíduo biopsicossocial e espiritual.

A parte biológica se refere aos genes, moléculas, metabolismo e fisiologia que, no total, nos constitui.

Porém, bem sabemos que o indivíduo vai muito além só do seu corpo físico… Os aspectos psicológicos interagem e entram em sintonia com o orgânico, afetando (muito ou pouco) o próprio funcionamento dos órgãos. Tudo se interliga e se inter-relaciona.

Sabemos, também, que o homem é um ser social: vive, coabita, trabalha, estuda, se relaciona e depende do meio para subsistir e sobreviver.

Quanto à parte espiritual, muito tem sido falado, na atualidade, em espiritualidade, que nada mais é do que a relação que se tem com o mundo, consigo mesmo e com Deus, Alá, deuses ou alguma divindade, no sentido de transcendência. A espiritualidade está mais ligada a uma jornada pessoal, de elevação e sublimação. Difere da religião, que significa “religare” e é um conjunto de crenças e valores, quase sempre ligada a símbolos e rituais, com seguidores (fiéis) que se identificam com dada organização religiosa.

Carl Gustav Jung (1875-1961), Psiquiatra Suíço, fundador da Psicologia Analítica, percebeu que “todo ser humano traz de forma inata esse impulso por transcender, e que mesmo no pensamento científico existe essa busca por ir além do ego, ir além dessa realidade material e racional que conhecemos”.

Portanto, ao pensarmos no indivíduo temos que olhá-lo de forma ampla e holística, ou seja, como um todo, não de forma fragmentada. E as interligações entre todas essas áreas são formadas desde a mais tenra idade. Estudos comprovam que desde a fase intrauterina, ligações importantes se estabelecem, indo além da fisiologia de um embrião, um feto.

E o que tudo isso tem a ver com o nosso emocional na atualidade?

Estamos em meio a uma pandemia, onde a “Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que trabalha com os países das Américas para melhorar a saúde e a qualidade de vida de suas populações, vem alertando a população sobre a COVID-19 que, como bem sabemos, é uma doença infecciosa causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2)”.

O Brasil vem convivendo com essa realidade por pelo menos 1 ano e 3 meses. Não vivemos  mais como antes. Temos, todos os dias, que nos reinventarmos;  já não saímos de nossos lares do mesmo modo. Enfrentamos a segunda onda da pandemia e já começamos a nos precaver da terceira que vem da Índia.

A máscara agora é um hábito (ou, pelo menos, deveria ser), a lavagem de mãos, o uso de álcool gel (artigo obrigatório) e o distanciamento social, fazem parte de forma inerente das nossas vidas. É como escovar os dentes e tomar banho.

Não conseguimos mais ter respostas rápidas quando traçamos objetivos. Bem poucas pessoas estão investindo, frente ao patamar da economia. E quem o faz, se arrisca ou se acautela, agindo com parcimônia. Tudo isso, traça um panorama preocupante, que fatalmente recai no emocional dos indivíduos.

Não é só o financeiro! Vai além da crise econômica, que por sinal, é mundial; chega a refletir na liberdade em ir e vir, haja vista a suspensão de voos para determinados países. Ninguém sai de casa sem um certo nível de preocupação, não só por si, mas também pelo outro.

Quantos reclamam da falta de um abraço, em estar mais em reuniões familiares? Aqueles que “ousam” fazê-lo e alguém é infectado pelo coronavírus, amarga a dura culpa que recai em seus ombros.

Tivemos oportunidade de vivenciar isso de perto com pacientes, amigos e parentes. Situação por sinal, bem aflitiva. Ninguém está cem por cento imune e isso assusta. Vislumbramos nomes conhecidos na mídia morrendo e isso nos coloca frente a uma realidade indiscutível: ninguém é super-herói; somos todos de carne e osso e temos que passar por coisas, mesmo que a revelia dos nossos mais ardentes desejos.

Gostaríamos de poder falar diferentemente, mas negar a realidade não nos ajudará a encontrar meios de enfrentamento. A partir do momento que me conscientizo, tomo punho de minha vida, aproveitando o que o momento está me propiciando.

Cada qual refletirá a seu modo, mas, na prática, na clínica diária, vemos algumas pessoas em home office tirando alguns ganhos disso, como dormir até um pouco mais tarde, não pegar trânsito, não gastar tanto com vestimentas, aprender a lidar com meios tecnológicos mais modernos, fazer cursos online etc.

Apesar de muitos conflitos entre seus próprios familiares, há também aqueles que, pelo contrário, estão encontrando melhores formas de convivência. Nem todos estão se separando e discutindo em casa. Muitos estão experienciando novas formas de lidar com a proximidade dos seus e, ao mesmo tempo, dar conta do trabalho com toda a pressão e responsabilidade dele decorrente.

Tem gente que saia de casa antes das 7hs da manhã e só voltava após as 20hs. Mal via o filho crescer. Muita coisa ficava delegada à escolinha, aos avós, que por mais amorosos que fossem, nem sempre davam conta de tudo. Até porque nada substitui o dever paterno e materno.

Aqueles que precisam sair em função de seu mister, muito provavelmente estão encontrando algumas dificuldades. Entretanto, existem questões que são de sobrevida. Nessas horas, parentes que auxiliam podem ser boa solução.

As Escolas estão, paulatinamente, voltando, mas ainda há uma pergunta no ar: até que ponto são seguras? E as aulas online, serão plenamente eficazes? Cada família vai encontrando seu ponto de equilíbrio, para essas perguntas. Contudo, o desgaste emocional que vem por trás de tudo isso, é enorme.

Sem dúvida, estão acontecendo mais doenças mentais, como depressões, quadros de transtorno de ansiedade e outros. Entretanto, na maior parte das vezes esses, os indivíduos acometidos por alguma delas já apresentavam alguma sintomatologia anterior, ou ao menos uma predisposição. Fatores hereditários associados aos ambientais, cronificam e potencializam distúrbios emocionais.

O ser holístico (supracitado) se vê em um meio social mais restrito e, afora as tendências que todos trazemos, é levado a buscar mais a espiritualidade. Aqui não estamos falando de religião, e sim no olhar de Carl Jung. Nunca se falou tanto em compaixão, ajuda ao próximo, sair do seu “ego” e ir além. A humanidade parece passar por uma “chacoalhada”, numa transição com reflexões, entendimentos e a plena percepção de que o mundo não existe para fazer a sua própria vontade.

Quanto mais negarmos isso, mais sofreremos e iremos contra a maré. E, claro, atrairemos para nós próprios, muitas somatizações que nos conduzirão a doenças do corpo e da mente. Passamos, além de temermos o vírus, a nos encalacrarmos em negatividade. Insistimos em ouvir mídias perniciosas, em buscar mais bebida alcoólica etc. E, desse modo, vamos permitindo que se estabeleça um caos interno, quase sempre culpabilizando quem está à nossa volta.

Está na hora de um despertar: se não conseguirmos sozinhos, a psicoterapia poderá ser de grande auxílio. Talvez haja, inclusive, necessidade de um acompanhamento médico. Que isso não nos impossibilite de seguir em frente.

Existem ótimos profissionais para isso. Melhor do que permanecer envolto numa muralha é tentar transpor esse obstáculo.

A vida passa muito rápido! Dê uma chance a ela, enquanto há condições para isso. Só reclamar não resolve e embota possibilidades. Lembrem-se: somos um todo, não só um corpo teleguiado. Seres integrais agem em favor de si e do próximo. Tentem e tenham muito boa sorte! O caminho é árduo, mas só quem vai atrás, pode dizer VENCI!!!

A decisão é nossa! Só nossa!


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