Personalidade

Comumente, entende-se a palavra “personalidade” como um atributo de algumas características da pessoa. Não é incomum ouvir falar “essa pessoa tem personalidade forte” ou “fraca”. Atribuições essas, controversas, quando nos deparamos com as várias definições de correntes psicológicas que adentram nesse estudo. Mesmo entre grandes estudiosos e filósofos, há diferenciações no uso desse termo.

De maneira geral, a forma de comportamento e atitudes da pessoa traçam sua personalidade. Isso reflete no “jeito” que lida com as coisas. Ela traz traços diferentes não só pela individualidade, mas também pela cultura, religião, posição na família (filho mais velho, caçula, filho do meio), hereditariedade etc.

Tudo isso gera os efeitos subjetivos que trazemos e que fazem cada qual responder de uma forma. Para alguns, essa mescla de aspectos é apenas parte da vida; para outros, torna-se um grande desafio. Uns conseguem se sobrepor a isso, outros não. O processo psicoterápico auxilia o indivíduo a entrar em contato com a sua psique e aprender a lidar com essa somatória que caracteriza a personalidade de cada um e a forma com que lida, de dentro para fora, com as coisas.

No senso comum partilha-se a ideia de que a pessoa é boa ou má, dependendo da sua personalidade, como também mais extrovertida, ou tímida, por exemplo. Porém, nunca podemos deixar de lado a influência genética, o ambiente, a estimulação, valores morais, para que cada ser forme uma personalidade única e particular, que levará adiante na sua vida e o ajudará a encontrar e escolher melhores (ou piores) resoluções.

Alguns traços de personalidade permanecem estáveis ao longo do tempo, criando percepções e pensamentos próprios. Todavia, existem distúrbios de personalidade, considerados como “transtornos” – que não serão foco deste artigo -, que causam profundo sofrimento a quem os tem. Quase sempre são advindos da variabilidade genética e ambiental, e, necessariamente, terão que ser tratados por Psiquiatras especializados, concomitante ao tratamento psicoterápico e orientação familiar.

Falaremos resumidamente de algumas colocações sobre personalidade. Sócrates (470 – 399 a.C.), por exemplo, considera que a alma do homem é a sua consciência e é essa que define a sua personalidade intelectual e moral.

Aristóteles (384 a.C.-322 a, C.) discorreu sobre o Narcisismo, conhecido como “Complexo de Aristóteles”. Essa visão influenciou muitas correntes posteriores.

Freud (1856-1939) desenvolveu, em 1923, um modelo estrutural da personalidade, em que o aparelho psíquico se organiza em três estruturas: Id, ego e superego. Para ele, a criança forma a personalidade até 5 anos de idade. Aprofundou-se em livros e muitos trabalhos sobre sexualidade humana e suas relações desde a infância.

Carl Gustav Jung (1875-1961), fundador da Psicologia Analítica, define a personalidade diferindo-a entre aquela que externamos (persona) e a real (que está no âmago), cuja essência é a nossa individualidade. Assim a “persona” é vista nas relações sociais. É importante salientar que, socialmente, posso externar um lado bom, que se digladia com conflitos intrínsecos. É como se fosse uma máscara que uso para ser aceito no meio em que convivo.

São tantas definições, que podemos até dizer que é indefinível! Mas, independente dessas linhas e formas de cuidar, é primordial que a pessoa se auto-observe, enxergue a situação que está vivendo, seus interesses, ambições e o que pode fazer para melhorar.

Recebemos muitas influências na primeira infância; tivemos que viajar nessa fase delicada que é a adolescência, ou ainda estamos no meio dela. Alguns já entraram na vida adulta, com todos seus percalços. Até que, no declínio natural, nos tornaremos velhos e, com certeza, mais limitados. Alguns dos leitores entenderão bem do que estou falando.

Embora haja uma diversidade entre os tipos de personalidade, em nenhuma (exceto os casos patológicos, os mais graves) há o impedimento para que venhamos a desenvolver capacitações.

Olhe para dentro de si e perceba que nenhuma mudança começa lá fora; mudanças vêm de um desejo, que nem sempre é verbalizado. Nosso corpo nos traz sinais daquilo que ainda não conseguimos desenvolver, mas que podemos alcançar. Ninguém nasce perfeito! Comportamentos, mesmo os mais enraizados, podem ser modificados e transmutados.

Friedrich Nietzsche (1844-1900), citando o autor grego Píndaro, tem uma frase clássica: “Homem, torna-te no que és”. E o que você é? Para que estamos aqui, se não tivermos um propósito, uma missão? Nossa passagem pode ser transitória, mas sempre há algo a realizar, a deixar como legado para o mundo ou somente para os mais próximos. Mas já é um legado!

Pense nisso! Se não conseguir sozinho, recorra a parentes, amigos, colegas, à igreja ou qualquer outro local de sua preferência que profetize a sua fé; e se nada disso adiantar, procure uma ajuda especializada.

A decisão é nossa! Só nossa!

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