Depressão – limites e abrangências.

Este artigo vai tratar de um tema importante, no qual traçaremos um painel da depressão afetando outras doenças ou sendo a causa das mesmas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil é o segundo país com maior número de pessoas com depressão nas Américas, com 5,8% da população, ficando atrás somente dos Estados Unidos, com 5,9%. A doença afeta 4,4% da população mundial.

A Organização Pan-Americana da Saúde e seus Estados-Membros adotaram o Plano de Ação sobre Saúde Mental para orientar as intervenções de saúde mental nas Américas de 2015 a 2020. Entre seus focos, a depressão é destaque por ser motivo de muitos suicídios e lesões invalidantes para o trabalho e a vida social e/ou afetiva.

Além disso, nesse quadro preocupante, ainda há um grande estigma por detrás da situação: não é incomum que, até hoje, indivíduos com depressão sejam “julgados” por meio de chavões como “frescura”, “excesso de mimo”, “preguiça”, “vagabundagem”, “modinha” etc. Ou seja, há um menosprezo à condição mental do outro, com rótulos e descaso.

Existe um número substancial de pessoas com depressão causada por “n” fatores diferentes, desde os genéticos, biológicos e ambientais, mas também os associados a comorbidades, que não são poucas.

Tentaremos explanar alguns desses aspectos, pedindo que cada um chegue às suas próprias conclusões. Talvez até se identifiquem em algumas situações tão comuns nos tempos modernos.

Nossa realidade atual induz o ser humano a trabalhar demais, a usar a tecnologia de forma exacerbada, a não ter tempo para parar e olhar dentro de si. Isso tudo induz a patologias que sempre existiram, mas não desse modo, tão pungente.

A Medicina, felizmente, evolui e novas descobertas chegam até nós. Mas nem sempre os fármacos dão conta. Muitas vezes, o apoio da família, dos amigos ou o auxílio psicoterápico, podem alavancar novas formas de enfrentamento. Casos mais leves respondem muito bem à psicoterapia.

Moderados a graves dependem de orientação médica especializada, também. Portanto, as causas são multifatoriais e devem ser tratadas, de preferência, com interdisciplinaridade.

O Dr Kalil Dualibi (Presidente do Departamento de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina-APM) cita que “pessoas que estão submetidas a estresse crônico ou a depressões, passam a aumentar a produção de substâncias pró-inflamatórias, que são encontradas em pacientes com inflamações crônicas como artrites e artroses”. Nesse sentido alguns estudos apontam que, além do antidepressivo, devem tomar anti-inflamatórios conjuntamente.

Além disso, a Universidade Calgary – Canadá relatou em pesquisa minuciosa, que a depressão pode vir a desencadear sintomas de artrite reumatoide para indivíduos com predisposição genética – como aponta o site saude.abril.com.br.

Citamos aqui, outro exemplo, a fibromialgia que, devido às dores crônicas, desencadeia anormalidades no sistema nervoso, com fadiga constante, induzindo à depressão. Além de questões emocionais que acompanham essa patologia.

O Lúpus é uma doença crônica autoimune, na qual o Sistema Imunitário passa a reconhecer células próprias do organismo como antígenos.

Dependendo do grau de acometimento, não é incomum vislumbrarmos casos em que os pacientes desenvolvem depressão causada pela própria gravidade da doença, acarretando autoestima rebaixada e muito estigma.

Há, também, o risco de psicose puerperal que, às vezes (não sempre), ocorre em puérperas que apresentam lúpus eritematoso sistêmico (LES), devendo ser cuidadas, também, por psiquiatras e psicólogos, além do reumatologista.

Da parte endocrinológica, é importante citar o hipotiroidismo, que pode causar depressão, especialmente em pacientes que não aderem ao tratamento medicamentoso de maneira adequada.

Vê-se, ainda, alguns quadros, como Mal de Parkinson e Alzheimer serem associados à depressão. O ideal seria envelhecermos praticando esportes, comendo de forma saudável, tendo alguma atividade que nos desse “vida”. Seria ótimo!

Porém, nem sempre é isso o que acontece. Além dos aspectos genéticos, que todos nós trazemos, muitas vezes o próprio envelhecimento nos traz uma nova realidade. Já não somos tão ágeis; as pessoas não dependem mais de nós; os filhos cresceram e têm suas vidas próprias e assim por diante. Esse cenário nos predispõe à depressão por si só. Imagine com a associação de doenças degenerativas cerebrais…

Por isso, pedimos uma atenção especial aos nossos “velhinhos”. Um olhar mais caridoso àqueles que, na maior parte das vezes, fizeram muito por nós a vida toda e que merecem, inquestionavelmente, nossa atenção e cuidado, inclusive aos sinais de depressão.

Há, também, as mulheres, que entram na menopausa e podem sentir-se “menores” por já não poderem gestar; em geral, enfrentam questões hormonais delicadas que as desequilibram; já não se identificam mais como a “dona da casa”, a esposa desejada, a companheira cheia de atrativos.

Muitas se veem às voltas com uma aposentadoria, percebendo-se não mais produtivas. Essa mudança na autoimagem e nas relações com o mundo é bem desafiadora e pode ser destrutiva. Antes de criticá-las pelo “gênio difícil”, lembremo-nos de tudo que já realizaram na vida para a família, e ainda o fazem (com ferquência) para seus pais e sogros que estão, por vezes, com alguma demência senil e totalmente dependentes.

A depressão acontece também em outras fases da vida, se pensarmos na criança que sofre bullying e constrói crenças negativas a respeito de si mesma. Também para a pessoa com deficiência, que desde pequena sofre retaliações na escola, na vizinhança, na sociedade, precisa desenvolver resiliência para enfrentar as dificuldades. Se não o fizer, será forte candidata a depressão.

Mesmo aqueles que, por acidente, por exemplo, ficam com um problema locomotor invalidante, quase sempre passam por depressão ou tornam-se depressivos. Muito difícil a aceitação nesses casos.

Como vemos, existe uma imensidão de situações causadoras de depressão, assim como também a vislumbramos em outras patologias: transtorno bipolar (alternando depressão e episódios eufóricos); transtorno disfórico pré menstrual (onde a depressão aparece associada, até duas semanas antes do início do ciclo menstrual); transtorno afetivo sazonal (comum no outono e inverno, especialmente em países europeus); dentre outros.

Aqui mostramos que a depressão é algo muito mais comum do que imaginávamos e que tem uma abrangência enorme. Temos que nos cuidar aos primeiros sinais, para não permitir alavancar agravantes que podem nos isolar do mundo e nos tirar a vida (intencionalmente ou por entrega).

Não é por acaso que, em mais de um ano de pandemia, os casos de depressão cresceram assustadoramente. A ajuda profissional é quase sempre necessária, além do olhar de amor e compreensão, que auxiliam muito aos nossos parentes, amigos e colegas que vivem essa luta diária.

Encerramos pedindo que, mediante essa leitura, tentem estender a mão a alguém com depressão. Pode ser o pedinte da rua, a caixa do supermercado, ou um ente bem mais próximo. E se você é quem precisa de auxílio, não se cale!!!

Contamos com todos que se sensibilizaram.

A decisão é nossa! Só nossa!

https://www.conquistahconsultoriapsicologica.com/

Eliana Aparecida Conquista – Crp/SP 06/42479
Eliana Aparecida Conquista Consultoria em Psicologia
CNPJ: 36.586.648/0001-39 – Crp/SP 06/8377J

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