ENTREVISTA
- Edição 79 - Dez/2008
Denise Delfim

Décio Cavallini

Pedaço da Vila: O Sr. acaba de abrir um instituto holístico. Como chegou até aqui?

Darcio Cavalari: Sou um empresário bem-sucedido, graças a Deus. O maior fabricante de papel transfer da América Latina, minha especialidade. Quem administra minhas empresas, desde 1998, é meu filho. Ele me possibilitou, aos 62 anos de idade, começar esse novo negócio. Aos 14 anos, já era dono de um açougue. Aos 16 anos era proprietário de um automóvel comprado com o meu dinheiro. Sempre convivi com pessoas mais velhas porque as da minha idade não tinham conversa para mim, não dava, não batia. Aí o tempo foi passando e eu me enfiei no trabalho. Na época de ir para a faculdade, eu optei em estudar na Itália, onde tive a oportunidade de me especializar em serigrafia. Então, não tive tempo de fazer faculdade, nesta época fui ganhar dinheiro.

Nasci do zero, não tinha nada. Eu só consegui chegar aonde estou hoje, nessa área holística, espiritual, depois de quase quebrar três vezes! Meus amigos espirituais, meus ancestrais, meus mestres, tiravam meu dinheiro para ver se eu acordava e dava um outro caminho para o que ganhava. Até que da última vez que quebrei, eu me enfiei no estudo da espiritualidade propriamente dita. Foi em dezembro de 1990.De lá pra cá, tenho estudado muito a espiritualidade. E o meu progresso nessa área da sensibilidade aconteceu muito rápido. Nessa minha andança conheci o meu compromisso com a caridade, comigo mesmo. Aprendi a fazer alguma coisa com esse meu poder de realização. Destinei meu dinheiro à construção da creche Paulo de Tarso, o Lar da Tia Maria, que é um orfanato com 140 crianças, além de ajudar alguns orfanatos, um deles ajudei a reconstruir. Também, construí um espaço em Francisco Morato, um município perto de Franco da Rocha. São 4500 m2 de terreno e 2500 m2 de área construída, onde hoje funciona uma escola da Prefeitura, em que são ministrados cursos profissionalizantes. Lá tem padaria, oficina mecânica, curso de serralheria, de marcenaria, de pedreiro, encanador, pintor,costureira, todos homologados pelo Senai. É um espaço que atende cerca de 400 crianças e jovens por dia. Fornecemos, ainda, almoço à comunidade. É um trabalho de assistência social.

 

P.daVila: Como sua espiritualidade se manifestou?

D.C.: Com dor, sempre dói... Porque a gente não consegue compreender essa idéia de ir pelo amor. Então, você acaba indo pela dor. A minha dor veio no bolso. Me quebraram! Sempre foi assim, era incomodado, e acabava de vez em quando tendo que ir buscar a espiritualidade para entender o que estava acontecendo na minha vida pessoal. Até que, depois de já ter me enfiado nisso tudo, ter escrito quatro livros por psicografia - porque como não acreditava em ninguém, comecei a psicografar e a receber as orientações. Em uma delas, recebi a orientação de construir esse espaço.

 

P.daVila: E como ele foi concretizado?

D.C.: Conheci uma pessoa que me levou a Eve Sobral, um cara com projeto de um programa na CNT, em cima do trabalho espiritualista, voltado à medicina alternativa. Eve viu meu trabalho e perguntou se queria ser seu sócio. Neste instante surgiu a idéia do Instituto. Fui para Portugal e logo ao voltar comecei a procurar um local. Abri um mapa de São Paulo e o pêndulo apontou a Vila Mariana e eu decidi seguir sozinho. "Eles" me empurram e fomos montando o negócio, que ficou desse tamanho, grande por ser um espaço de quem está começando.

 

P.daVila: E os convites para a TV e rádio?

D.C.: Um amigo me levou à AllTV. E o diretor Albeto Luccheti me convidou para fazer um programa, na semana seguinte. E depois, meu amigo Irineu Gasparetto disse que tinha um espaço para mim na Rádio Mundial. às segundas-feiras. Depois apareceu meu primo, que me apresentou ao dono da CNT, que me convidou para um programa na quinta-feira, à meia-noite Pensei: quem vê televisão essa hora? Fiquei tão surpreen- dido com a audiência que resolvi comprar o horário.

 

P.daVila: O sr. já previa tudo isso?

D.C.: É assim, eu sei os caminhos que vão surgir na minha vida e eu vou realizando no caminho, fica mais fácil. Tive um infarto, fui para o hospital em uum domingo, na segunda eu fiz cateterismo e na terça eu fiz a cirurgia .Não senti nada, não senti dor . Fiquei 12 dias no hospital, destes, sete eu fiquei do lado de lá. Nesse período, revi tudo o que eu tinha que fazer ao voltar e falaram para mim: "Rua! Não está na sua hora. Volta lá e faz o que tem que fazer!" Depois disso minha vida mudou totalmente. Em seis meses eu saí da minha casa, me separei de um casamento de 32 anos. Comecei a viver uma mais feliz e toda minha vida começou a se transformar. E surgiu a idéia do instituto para cuidar na verdade do desenvolvimento da mente humana. Nós somos educados para cumprir determinadas regras, convenções. Uma pessoa que vive dentro das convenções é infeliz, já matou os seus três corpos: o mental, o emocional e, faz tempo, o espiritual. Ela está sobrevivendo, é como uma pessoa que está com Alzheimer. Quem tem Alzheimer já abandonou essa vida, não tem nenhum sofrimento, ela foge, vive em outro lugar.

 

P.daVila: Mas como se livrar das convenções?

D.C.: Tem uma história que mostra bem isso. Cientistas trancaram cinco macacos em uma jaula, que tinha uma escada dessas de tripé com um cacho de bananas lá em cima. A escada era alta e na jaula instalaram vários chuveiros de onde saia água gelada. Puseram os macacos lá. O primeiro que percebeu que tinha bananas lá em cima, foi subir as escadas, e todos tomaram um banho de água gelada. Isso se repetiu com cada macaco. Eles tentaram subir de novo, mas desciam devido à água gelada. Perceberam então que se subissem a escada, levavam água gelada. Aí a reação dos macacos mudou. Quando algum macaco tentava subir a escada, levava porrada dos outros quatro. Nem precisava ligar mais o chuveiro. Com o tempo, os cientistas foram trocando os macacos. Dos cinco, tiraram um e colocaram um novo. O novo quando chegou, viu o cacho de bananas, subiu as escadas, os outros encheram ele de porrada. Uma vez, duas vezes. Tira um macaco, coloca outro, a mesma coisa. O processo foi se repetindo. Depois da troca de três grupos de macacos, o macaco entrava ali e os outros que nunca tinham tomado banho frio gelado, enchiam o outro de porrada. Ou seja, a regra é clara, se você subir as escadas, todo mundo te enche de porrada. Eles não sabem por que, mas a convenção é essa, virou pecado. E no nosso mundo, fazemos muitas coisas hoje que são regras estabelecidas pelo nossso tataravô!

A Igreja Católica foi fundada no ano 325, porque os romanos não conseguiam mais matar cristãos, pois eles iam pra arena sem medo da morte, iam sorrindo. Então os romanos perceberam que não adiantava mais ameaçar o povo para não ser cristão pela morte. E o que eles fizeram? Criaram a Igreja Católica Apostólica Romana no ano 325, no dia 25 de agosto. Isso é uma informação precisa, é histórica, pode checar. O Imperador Constantino empossou o primeiro Papa, que anunciou: "Todo mundo que adorar Jesus Cristo dentro dessas regras, eu não mato mais". E aí começaram os primeiros mistérios. E as pessoas continuam achando que espírito é coisa do demônio, porque lá em 325 alguém falou isso. E agora para falar com Deus, tenho que passar por um padre, um pastor, ou pai-de-santo. Eu não tenho mais a cultura de que posso falar com Deus diretamente. Ou seja: se Deus é o cacho de bananas, eu não posso subir mais as escadas porque eu tomo porrada. Aqui no Instituto ninguém te dá porrada, você pode subir as escadas, pegar sua banana pois você é puro, divino, é filho de Deus. Somos ilimitados, quem nos limita é a mente. A sua mente é fruto, resultado do que você aprende, da educação que recebe. O trabalho do Instituto, com vários tipos de alternativas de terapias, tem em um primeiro momento, o sentido de se reequilibrar. A segunda fase, fará cursos para ser um livre pensador e a ter coragem de se gostar.

 

P.daVila: Estamos em uma tremenda crise mundial. Ela parece que vai bater na nossa porta a qualquer minuto. Como reagir?

D.C.: Sete anos atrás já dizia que as coisas iriam mudar. Não é possível mais a humanidade ocidental viver assim. Há um processo em andamento para acabar com essa forma de dinheiro. Você pode ver que os líderes mundiais já não têm a mesma expressão, a mesma conotação de um Lênnin, de um Hitler, de um Jânio Quadros ou de um Perón. Não tem mais esse populismo, esses líderes carismáticos, fora alguns idiotas que estão aí, que fazem parte do processo, como o próprio Bush, que é só um instrumento da imbecilidade. E foi esta imbecilidade que levou os Estados Unidos a mostrar a grande mentira que construíram. Como é possível um único país ser o provedor do dinheiro mundial? E pior, um país quebrado, que tem a maior dívida externa do mundo? Esta é uma crise grande e apesar disso, eu acabei de montar esse negócio, gastei muito. As pessoas falam da crise, mas não é um problema meu. Nada tenho a ver com a crise. Não fico esperando nada de ninguém. Eu faço.

 

P.daVila: Mas como convencer as pessoas disso?

D.C.: Estamos chegando ao caos; mesmo com resistência. Em 2012, 2014, haverá a manifestação de um Avatar no planeta, uma figura como foi Jesus Cristo, Buda, Krishna, como tantos outros. Porém a manifestação deste Avatar não será como foi anteriormente, através de apenas uma pessoa. Infelizmente se for a manifestação de apenas uma pessoa, a mídia vai manipular e os donos do dinheiro e do poder tomam conta e apagam essa figura, como muitas por aí. A manifestação do Avatar surgirá em vários pontos ao mesmo tempo. A consciência coletiva irá mudar. Desde 1999 só nasceram crianças índigo. Crianças dotadas de uma espiritualidade elevada, que não têm violência.Em 2012, essas crianças que terão 13 anos, que é quando começa essa manifestação coletiva. Com mais três anos, elas votam. Então de 2012 a 2022, essas crianças serão adultas e estarão ocupando cargos públicos. Em 2032, só haverá índigos ocupando esses cargos. A grande mensagem é: não pode existir nenhuma transformação drástica, porque se ela for drástica, não tem firmeza. A transformação é paulatina, boca a boca, crescente. E quando ela tomar conta, estará solidificada.

 

P.daVila: Tudo isso vai acontecer naturalmente?

D.C.: Naturalmente. Daqui 20 anos a situação será totalmente diferente da que vemos hoje. Porque o Brasil terá o papel que precisa em relação ao planeta – e que não é o da violência. Quem nasce aqui, já está em um plano energético de amor, de relevar, de fazer piada. Não precisa ter revolução aqui, já que os próprios políticos corruptos estão se engolindo, se acabando. Então o processo energético é a conscientização de massa.

 

P.daVila: Qual sua visão para o próximo ano?

D.C.: Vai ser de expectativa, porque será um ano de transformação. Daqui até 2012 será um período de ameaças filosóficas, da crise, de colocar o medo no povo. Transporte tudo isso para o ano 325, quando nasceu a Igreja Católica. O governo Romano, para não perder a hegemonia, ameaçava de morte as pessoas. Hoje não se ameaça de morte, mas de falta de dinheiro. A filosofia é essa, já que quem manda no mundo é o poder, o dinheiro. Então nós vamos passar três anos ainda sob ameaça. Porque daqui mais dois anos, o Lula sai fora, entra um outro governo, que por sua vez ficará um ano se defendendo dos ataques de todo mundo, mas no segundo ano começará a governar e é quando começará uma nova fase.

 

P.daVila: Qual deve ser a postura que as pessoas devem adotar diante de tudo isso?

D.C.: É simples: assista na televisão somente filmes, futebol, desenho animado. Se você continuar vendo o Jornal da Globo, da Record, da Bandeirantes, você continuará na mesma egrégora. Saia fora da egrégora, ou seja, não se preocupe mais com eles. Deixe eles fazerem o que quiserem, problema deles. Cuide da sua vida, da sua casa. Acredite em você e faça por si. Se você fizer por si mesmo, será exemplo: o seu filho vai te copiar, o teu vizinho... Agora, se você se preocupar com todo mundo, não está fazendo nada, só está alimentando de energia esse monstro que estão criando: o medo e a insegurança. Lembra o que fazia o governo romano?


Comentários
Inclua um comentário











 
Todos os direitos reservados - Pedaço da Vila - 2019