ATITUDE
- Edição 75 - Ago/2008
Denise Delfim

Ecologia Interior

Transformações para uma vida sustentável 

Todos falam de planeta sustentável, cidade sustentável, bairro sustentável e casa sustentável. Mas como fazer uma casa sustentável sem pensar no indivíduo sustentável? Na verdade é mais confortável exigirmos mudanças nos outros e nas coisas do que em nós mesmos. Os antigos diziam: - “aquele que vence os outros é um guerreiro e aquele que vence a si próprio é um vitorioso.” Gandhi em sua máxima: “seja a mudança que você quer ver no mundo” confirmou na prática que a sua mudança libertou um país. Mas, por que resistimos? O medo de nos enfrentar é incutido em nós por um modelo hipócrita, que gera incoerências e violências.
O Inverno é uma estação que nos convida a ficar em casa, a nos recolher, a buscarmos uma vida interior. Estamos tão desconectados da natureza, que perdemos oportunidades preciosas de fazermos um mergulho interior em sintonia com ela; aproveite, ainda dá tempo de fazermos mudanças antes da floração na Primavera.
A Ecologia Interior se fundamenta em estudarmos a nossa casa interior. Há algum tempo não tínhamos tecnologias que permitiam uma fotografia interior, a exemplo dos raios-X, tomografia computadorizada etc. A medicina vem progredindo em diagnósticos, mas precisamos fazer bom uso dessas tecnologias, porque mais importante que ver é sabermos as causas que nos levaram a algumas enfermidades.
Durante a minha formação profissional questionava porque tantas doenças eram tratadas de forma superficial. Um colega dizia: remédio não cura, remedia, se curasse seria curédio. Essa frase jocosa traz uma grande verdade, nós queremos mais remediar que ser curados. Pois a cura envolve não só a utilização de medicamentos, mas também uma mudança de hábitos que, na maioria das vezes temos dificuldade em fazer, não queremos sair da área de conforto, mesmo sabendo que um dia voltaremos a adoecer. Observe os fumantes, nas carteiras de cigarros está descrito os diversos males que aquelas substâncias geram, mas, mesmo assim eles não conseguem superar o hábito da autodestruição. Já atendi pessoas que desejavam parar de fumar e com o uso de substâncias fitoterápicas associadas à mudança de alguns hábitos, incluindo o alimentar elas abandonaram o fumo. O mesmo tenho feito com a alimentação.
Portanto comecei a observar esse famoso “hábito” que nos mantém na inércia. E o mais interessante, muitos sabem que as substâncias contidas no cigarro estimulam a pessoa a entrar num grande círculo vicioso, portanto o viciado e a substância se alimentam.
Numa situação ampliada nós comemos todos os dias substâncias que fazem um circulo vicioso e não sabemos que muitas doenças são geradas por hábitos alimentares, você sabia?
Comecei a estudar alimentação e na experimentação percebi o quanto ela pode mudar as nossas vidas. Na maioria das vezes introduzimos químicas que interagem conosco e concordo com um pensador que diz: “o homem é aquilo que ele come.”
Numa época de tanta industrialização de alimentos estamos nos tornando seres industriais, por isso a nossa vontade de alimentarmos uma vida onde tenhamos tudo instantaneamente pronto ao invés de observarmos e vivermos no ritmo da natureza.
Alimentação é fruto de três palavras: ali = comida + ment = mente + ação (não preciso traduzir). Portanto observe que a comida alimenta nossa mente para as ações, ou gera ações para nossa mente.

Marly Pedra
Médica, Homeopata, Nutróloga, Coordenadora do Programa Ecomida – Arte em Culinária


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