UMAS E OUTRAS
- Edição 72 - Mai/2008
Denise Delfim

De banca nova!

O lixo despejado quase que diariamente nas calçadas da Cinemateca Brasileira da rua Gandavo, há décadas incomoda a vizinhança. O assunto ganhou mais notoriedade com a matéria que o Pedaço da Vila publicou este ano, que revelou o envio de um e-mail assinado pelo secretário do verde e meio ambiente e morador do pedaço, Eduardo Jorge Sobrinho, ao ministro Gilberto Gil pedindo uma solução para o problema (a calçada pertence à instituição de preservação do acervo audiovisual, vinculada ao Ministério da Cultura). Alguns dias após o envio, a chefe de gabinete da pasta acusou o recebimento e prometeu tomar as medidas "cabíveis". Com isso, a direção da Cinemateca confirmou que buscava alguns meios para resolver a questão, entre eles, trocar parte de seu muro por gradil ainda neste 1° semestre. Segundo o diretor Carlos Wendel Magalhães, isso possibilitará um vigilante interno ficar de olho, a fim de coibir novos descartes irregulares.

Magalhães adianta que a Cinemateca Brasileira busca atuar em diferentes frentes para realizar a pequena obra. "Estamos estudando três possibilidades para o gradil. Instalá-lo por meio de recurso orçamentário próprio, com abertura de licitação para projeto mais amplo de tratamento paisagístico, pois queremos ampliar as áreas de acesso público. Senão, por meio de patrocínio privado ou com apoio da subprefeitura do bairro", esclareceu o diretor.

O subprefeito Alexandre Modonezi adianta que foi firmada uma parceria com o Depave para a instalação do gradil, mas não informa quando o serviço será realizado.

Enquanto isso o lixão segue a céu aberto. Leitores contam que os carreteiros descarregam o que não precisam sem cerimônias e ainda oferecem o "serviço" de recolher entulho, batendo de porta em porta pelo bairro.

Se o calçamento da rua Gandavo segue em mau estado de conservação, a poucos metros dali a vida do pedestre melhorou e a rua ficou mais bonita. A praça e passeio da rua Uruana estão impecáveis. A área verde e guias e sarjetas foram revitalizadas em fevereiro por iniciativa de uma construtora vizinha. Um trabalho paisagístico foi realizado, a pintura refeita e 400 metros de piso intertravado implantados, seguindo o novo padrão de calçadas estabelecido pela prefeitura e até um banco de praça foi providenciado. A reforma custou R$ 22 mil. "Se cada um tivesse a consciência de cuidar do espaço em frente à sua casa ou do escritório, poderíamos conviver melhor na região e na cidade", apontou Marco Garcia, co-proprietário da construtora e também morador da Vila Mariana.

Quem ganhou também com a reforma da esquina foi José Ibiapina - o Zé da Banca -, que agora dispõe de um ponto mais bonito e com maior visibilidade. E o melhor: Marcos ofereceu a ele a oportunidade de adquirir uma banca de revistas de primeira, que poderá pagar a perder de vista: "Antigamente era lixo e ratos nessa esquina, agora ficou uma beleza!", comemora.


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