ATITUDE
- Edição 70 - Mar/2008
Denise Delfim

Você valoriza o comércio do seu bairro?

Fala-se muito atualmente em revitalização de bairros da cidade, combate à economia informal, projetos de geração de renda, etc. Como isto reflete na nossa vida cotidiana? Depende do quanto deixarmos. Quanto mais ajudamos a economia do nosso bairro a manter-se dinâmica, produtiva e inclusiva menos vamos sentir as influências negativas de todos estes problemas.

Toda vez que fazemos compras num shopping center, hipermercado ou megaloja na marginal num bairro distante, estamos enfraquecendo a economia do nosso. Por que?

Parte da riqueza acumulada pelas pessoas dentro dos seus bairros, com seus trabalhos, acaba sendo transferida para estes bairros distantes, quando isto acontece. Muitas vezes as empresas onde vamos gastar o nosso dinheiro são virtuais ou estão sediadas em outros bairros, cidades, estados e até países. Muitas se beneficiam de amplos incentivos fiscais e financeiros dados pelos governos e conseguem competir no mercado com ampla vantagem em relação a um pequeno comerciante da nossa própria rua.

O comerciante de bairro tem total interesse em fidelizar sua clientela e seguramente estaria disposto a rever seus preços para enfrentar esta concorrência se tivesse mais segurança no seu negócio, investindo assim em melhores instalações, treinamento de pessoal, melhores serviços e gerando mais empregos. Segundo estatísticas mais de 70% dos empregadores no Brasil são microempresas com até 4 funcionários. Não é triste perceber quando uma padaria, lavanderia, papelaria ou salão de cabeleireiro que costumávamos freqüentar fechou?

O problema é que os verdadeiros custos não estão computados nestes preços. Será que se considerarmos os custos de transporte, alimentação, tempo perdido, estacionamento, congestionamentos, emissões de CO2, poluição etc estas megalojas realmente são realmente mais vantajosas? E se considerarmos então a perda de empregos, fechamento de pequenos negócios, degradação urbana e número crescente de espaços vazios ainda assim valeria a pena?

Saiba que muitas comunidades criaram alternativas para suas trocas e comércio solidários tais como: moedas alternativas, feiras de trocas, bazares, cadernetas de crédito, microcrédito, troca de produtos por serviços e vice-versa, entre outras. É uma maneira de estimularem uma economia colaborativa e não tão competitiva e exercerem sua cidadania e reforçarem sua auto-estima.

Comprando no seu próprio bairro você acaba conhecendo o nome do vendedor e ele o teu e as relações transcendem o aspecto financeiro, tornando-se muito mais humanas. Há troca de olhares e sorrisos. As pessoas se reconhecem. Quando estiver caminhando pela rua você pode visualizar árvores, flores e jardins, o tom do céu, perceber as mudanças de clima, ajudar crianças e idosos, conhecer caminhos diferentes e divertir-se.

Mude os seus hábitos e faça economia. Através destas pequenas atitudes ajudamos a fortalecer a economia do nosso bairro.

No Ecobairro em breve vamos propôr alguns exercícios de economia de trocas solidárias. Venha participar!

Victor Leon Ades

Nucleador de Economia Sustentável do Ecobairro


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