MEMÓRIAS DA VILA
10/09/2019 - Edição 196 - Ago/2019
Cacá Bloise

COISAS QUE NÃO EXISTEM MAIS NA VILA MARIANA
Um dia desses eu e o Milton Levy numa conversa, tomando um café ali na Padaria Vovó Lia (antiga Padaria Macau na Rua Rio Grande), que nós frequentamos muito nos anos 60-70-80, lembramos de coisas que nós vimos e que já não existem mais na nossa Vila querida.
De cara, lembramos da própria PADARIA MACAU — do Joaquim e do Manuel — que foi nosso “point da turma” por anos e onde fizemos nossas amizades da vida toda. Vieram lembranças do ÔNIBUS 570, que passava ali na porta da padaria — e que todo mundo usava porque ele atravessava a Vila Mariana toda. Lembramos da DONA PRECIOSA e seu armazém com aquela caixa registradora dos anos 40, do açougue do NINO, do salão de barbeiro do CHIQUINHO na Rio Grande, das brincadeiras na esquina, do CARRO DA MANTEIGA AVIAÇÃO, do BONDE CAMARÃO, da FÁBRICA DA CERA RECORD na Rua Basile, do CINE CRUZEIRO no Largo Ana Rosa e de tantos outros lugares inesquecíveis.
Lembramos — kkkkkkk não com muita saudade — que o Levy estudou (mais ou menos) no EXTERNATO PARAISO na Av. Cons. Rodrigues Alves, recordando — muito felizes — das lindas meninas que a gente ia paquerar na saída das aulas. Tempo maravilhoso!
Veio na lembrança a época em que RECAPEARAM TODA A DOMINGOS DE MORAES, quando os bondes foram extintos. Os trilhos estão ali embaixo até hoje, cobertos pelo asfalto. Nunca foram retirados. As próximas gerações — um dia, quando forem abrir o solo — vão poder imaginar que ali passaram bondes ou qualquer coisa que andava sobre trilhos.
Pintou uma boa saudade ao imaginar que o PAPA FILA era um imenso ônibus que saía do Largo Ana Rosa carregando mais de 200 passageiros — o maior ônibus do Brasil.  E que a ESTAMPARIA CARAVELAS tinha um caminhão muito parecido com ele na sua fábrica.
Não tem como não lembrar da CARAVELA na 23 de Maio, da CONSTRUÇÃO DA 23 DE MAIO e da RUBEM BERTA, do VIADUTO TUTÓIA que passou em cima da chácara do Seu Zé Português e do nosso campo de futebol da Igreja Santa Filomena.
Lembramos do meu pai SEU NICOLA no balcão do armazém na Rua Áurea com a Rodrigues Alves e da PADARIA SAGRES, na Domingos de Moraes. Além do CHIFRE DE OURO, um bar famoso na Sena Madureira; do CAMPO DE VÁRZEA DO OLIMPICUS, ao lado do Colégio Bandeirantes na Rua Estela, e de tantas outras coisas incríveis.
As horas passaram, o café foi esfriando de tanto que nós falamos e recordamos. Poderíamos ficar horas, meses... ali naquele lugar sagrado, relembrando uma vida de maravilhas que nós vivemos na nossa Vila Mariana. 
Nos despedimos com aquele velho abraço de amigos eternos da Vila Mariana já cheios de saudades. Recordar é sonhar de novo.
Aqui na Vila Mariana tem muitos sonhos.

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