UMAS E OUTRAS
31/12/2018 - Edição 189 - Dez/2018
Denise Delfim

Belas lembranças

Em um país sem memória, são os moradores mais antigos que revelam como era a Vila Mariana do passado. “Era um lugar muito bom para morar”, observa a vizinha Margarida Baptista Porphirio, de 78 anos. 

Ela conta que seu avô, Manoel Porphirio dos Santos chegou em São Paulo no início do século 20, quando a Vila Mariana estava em formação. A Rua Pelotas, na época, era delimitda por chácaras. “Em grande parte de alemães”, lembra a senhora. 
 
Vindo de Portugal de navio, Manoel comprou uma fazenda na cidade de São José dos Campos, em 1940. Pouco tempo depois, permutou essa fazenda por um grande terreno na Rua Pelotas, que ia até o Rio Boa Vista (onde hoje é a Rua Maestro Callia). Ele loteou o terreno em cinco partes para dar uma casa a cada filho.
 
Dona Margarida mudou-se aos cinco anos do bairro de Moinho Velho (hoje Heliópolis) para a Vila Mariana. “A Rua Pelotas era fechada e tinha apenas dez casas, que terminavam no rio, que na época dos indígenas era chamado de Caagaçu. “Antes do rio ser canalizado, era margeado por vilas”.
 
No fundo da vila que dona Margarida mora até hoje (ao lado do Sesc), o avô plantava uvas para fazer vinho, “que ele servia nas festas”, relembra Margarida. Um dos tios abriu uma marcenaria no bairro e fazia os gradis das casas; o outro tio era um famoso lutador de boxe, e o seu pai, dono de uma mercearia na própria Rua Pelotas. “Meu avô era muito conhecido no bairro e meu pai, que tinha um orquidário dentro do terreno, era um pintor de telas nato”. 
 
Entre as diversas lembranças sobre o bairro, ela fala dos canteiros de agrião, além das fábricas de cera, de garrafas térmicas e de lustres (chamada Pelotas). Aos 15 anos, a principal diversão de Dona Margarida e de seus primos eram as festas juninas realizadas ao lado do orquidário e da plantação de uvas. Em meio a um campo aberto, eles soltavam balões, acendiam fogueiras e observavam as estrelas ao anoitecer. “Éramos muito felizes!”.
 
Outra lembrança é a dos vizinhos lavando as roupas no rio. “Era o melhor lugar para nós, crianças, brincarmos. Até hoje, nós chamamos o Boa Vista de ‘rio da Gabriela’, porque havia uma garota com este nome que morava no fim da rua, com quem costumávamos brincar no rio”, recorda. 
 
Margarida e seu irmão moram até hoje na mesma casa. Ela confessa estar feliz de contar ao Pedaço da Vila uma parte dessa história, que está em suas fotografias e recordações. “São memórias de uma época da Vila Mariana que devem ser lembradas!”, finaliza.

Comentários
Inclua um comentário











 
Todos os direitos reservados - Pedaço da Vila - 2019