UMAS E OUTRAS
04/12/2018 - Edição 188 - Nov/2018
Denise Delfim

Cidade de cores

O físico Galeno Ferreira Morgado conta que recebeu a sua inspiração em pequenas doses para tornar-se um artista: primeiro durante os três anos em que morou em  Paris: “Via vários pintores se reunirem diariamente na Praça Tertre para pintar”. Foi em Paris que também conheceu sua esposa Marina, que hoje organiza seus trabalhos. 

A segunda dose de inspiração veio da época em que Galeno teve uma molduraria. “Recebia os trabalhos dos clientes e pensava: será que consigo fazer?”. E começou a exercitar sua arte como hobby. A arte virou coisa séria quando Galeno se aposentou como físico— e então veio a terceira dose de inspiração: “Resolvi ir para a rua pintar e tomei gosto pela coisa”, diz.
 
Desde então, já se passaram 20 anos. Hoje, diariamente, Galeno sai às 8 da manhã de casa para retratar os lugares mais emblemáticos da cidade. “Pinacoteca, Cinemateca, Instituto Biológicoo interior do Obelisco, o parque Ibirapuera... isso só na região. “Vou para algum lugar pintar e vou descobrindo novas paisagens”, diz o morador do pedaço.
 
No início da nova profissão, ele decidiu retratar as casas do bairro condenadas à demolição para que não fossem esquecidas. Mas desistiu. “A última foi a casa do alemão na Rua Fabrício Vampré (foto).  Parece que tudo vai para o chão... É muito triste”, afirma.
 
Uma das características de seu trabalho, que pode ser considerado uma Arte Naif, é pintar em telas redondas. “Saí da geometria euclidiana e só pinto redondo”, explica o artista.
 
Galeno ressalta que seria interessante se mais artistas fossem para a rua pintar o cotidiano da cidade. "Quero expandir esse processo cultural, incentivar outros pintores a irem para a rua. Isso estimula outras pessoas. A pobreza do Brasil não é só econômica, mas também cultural", conclui. 

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