UMAS E OUTRAS
- Edição 61 - Mai/2007
Marcelo Grimaldi

Coisa Nossa!

Quem passa pelo cruzamento da rua Humberto I com a Joaquim Távora dificilmente não repara em uma carroça cheia de plástico e papelão. Dentro dela mora Francisco Ferreira Silva, catador que literalmente encontrou no bairro uma chance para viver: "Eu nasci na cidade de Apucara, no Paraná, mas vim muito cedo para São Paulo. Os caminhos da vida me trouxeram para cá".
 

Seu Francisco, como é conhecido pela vizinhança, trabalhava como torneiro mecânico em uma multinacional na cidade de Diadema. Após ficar afastado durante algum tempo por problemas de saúde, foi demitido por abandono do emprego: "Eu precisava fazer alguma coisa para ganhar dinheiro. Resolvi então catar material reciclável".
Há nove anos no bairro, Seu Francisco já fez vários amigos, o que ajuda muito no seu trabalho: "Antes eu andava o dia todo atrás de coisa para pegar. Agora eu já sei que hora os prédios deixam o lixo e normalmente o pessoal me avisa quando tem alguma coisa".

Quando não está trabalhando, o catador se diverte como pode: "Eu tenho uma TV dentro da carroça que achei no lixo. Eu ligo em uma bateria de carro e consigo assistir alguns programas".
Após juntar material durante duas semanas, Francisco organiza tudo em sacos plásticos e leva para um galpão na Mooca, onde vende o que recolheu: "Eu demoro uma hora e meia pra ir e três para voltar. A volta é mais difícil porque tem muita subida". A cada ida ao galpão o carroceiro consegue tirar no máximo 180 reais: "O que eles pagam mais é o ferro, trinta centavos o quilo"

Como todo mundo, seu Francisco tem um sonho: "Eu queria juntar um dinheiro para comprar um caminhão e fazer serviço de transporte. Sair por aí, conhecer o mundo". Mas quem pensa que o carroceiro vive sozinho se engana. O brincalhão vira-lata Brutus, um cachorro que ele achou pelas caminhadas na rua, o acompanha o dia todo: "Ele está comigo há dois anos e já conhece todo mundo da vizinhança. É um grande amigo", conta o catador sob o olhar atento de seu companheiro.


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