DICAS E DELÍCIAS
29/10/2018 - Edição 187 - Out/2018
Maria Helena Serrano

Pequena história da confeitaria

Tudo indica que o mel foi o primeiro alimento doce a ser usado na alimentação. Depois foi a vez do açúcar da cana de açúcar, que surgiu há mais ou menos 12 mil anos. Uma cultura originária da Papua-Nova, Guiné, mais tarde das ilhas Fiji até chegar às Filipinas, Indonésia, Malásia e à Índia. 

Alexandre Magno, em suas viagens, no século IV a.C, levou o açúcar para a Pérsia, onde foi refinado no ano de 600 d.C. Os árabes começaram a cultivar a cana de açúcar e a produzir o açúcar sólido, o que os indianos também já sabiam fazer. 
 
Com as Cruzadas, a cultura da cana de açúcar chegou ao Ocidente e começou a ser comercializado em Veneza. Os portugueses levaram as mudas da cana de açúcar para a Ilha da Madeira e introduziram também a cultura nas ilhas ao redor: Cabo verde, Açores e São Tomé. Os portugueses tornaram-se os maiores produtores e distribuidores deste produto. O mel foi finalmente substituído pelo açúcar, e surgiu uma área da gastronomia chamada confeitaria! 
 
No Renascimento, as elites e as cortes italianas realizavam os famosos banquetes de açúcar. Conta a história que, na Inglaterra, a rainha Elizabeth, que era uma amante do açúcar, acreditava que consumi-lo deixava o hálito doce. Com isso, ela sofreu com as cáries e perdeu quase todos os dentes. 
 
Depois, Catarina de Medicis (1519-1589), em seu casamento com o nobre Henrique II da França, fez uma revolução na gastronomia francesa. Nessa época, são criados os biscoitos de amêndoas, os pudins de ovos, as compotas, as geleias os doces de frutas, a patê a Choux, o zabaglione e o sorvete! A figura do mestre confeiteiro ganha fama e todos os nobres queriam ter um à sua disposição! 
 
Mas foi no reinado de Luiz XIV, o rei Sol, que a sobremesa passou a ser servida no final das refeições, como o grand finalle! Nessa época, os doces já são mais elaborados e as técnicas são introduzidas. Uma escola francesa se impõe para todo o mundo ocidental. Surgem os merengues, o creme chantilly e os livros de confeitaria. 
 
Em Portugal, o açúcar da Ilha da Madeira vai para os conventos, onde as religiosas se tornaram excelentes doceiras, usando-o com ovos e amêndoas. Mas, foi graças ao cultivo da cana de açúcar no Nordeste do Brasil que fez a prática da confeitaria deslanchar em todo o mundo ocidental. E, no Brasil, os doces portugueses são adaptados ao solo brasileiro, com alguns ingredientes substituídos: o leite pelo leite de coco, as amêndoas pelo coco ralado, a farinha de trigo pela farinha de mandioca. 
 
Eu vou dar uma receita de cocada que minha tia Alice fazia. Quando crianças brigávamos  para disputar quem conseguia  comer mais. Esse doce surgiu nas cozinhas dos engenhos no período colonial e é bem brasileiro, apreciado de Norte a Sul. 
 
Cocadinha da tia Alice
 
INGREDIENTES: 2 xicaras (chá) de açúcar/2 xicaras (chá) de água, 3 ½ xicaras (chá) de coco fresco ralado. 
MODO DE FAZER: Leve o açúcar ao fogo com a agua até a calda engrossar, adicione o coco e misture bem. Continue mexendo, com fogo brando, até que a cocada desprenda da panela e dê o ponto. Coloque a cocada mole e quente sobre uma assadeira untada com óleo e deixe esfriar, para depois  cortar em pedacinhos.
 
Maria Helena Serrano é chefe de confeitaria e proprietária da Quinto Pecado Café Bistrô: Rua Cel. Artur de Godoi, 12. 
www.quintopecadodoces.com.br | mariahelena@qpecado.com

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