UMAS E OUTRAS
25/09/2018 - Edição 186 - Set/2018
Zaqueu Fogaça

Inventário moderno
Oca (1954), de German Lorca

"A fotografia acontece para o fotógrafo e ele a faz acontecer”. Essa frase, adotada como mantra pelo fotógrafo German Lorca (96), sintetiza as duas forças que o fazem apertar o botão da sua câmera: de um lado o flagra de um instante cotidiano, do outro, a construção desse instante pelo fotógrafo. Em sua obra, porém, essa sensível fronteira se esvai diante dos olhos do público.

Aos 96 e em plena atividade, German Lorca é homenageado neste momento com uma retrospectiva de sua obra no Itaú Cultural, na Av. Paulista, 149. Sob o nome Mosaico do Tempo, 70 anos de fotografia, a mostra apresenta ao público mais de 150 fotografias - expostas no primeiro e no segundo subsolos — que abrem um amplo painel sobre a vasta produção do artista. 
 
Em sua maioria em PB, as fotos são separadas em núcleos que iluminam as diversas áreas em que Lorca atuou. Entre elas fotografia de arte, publicidade, retratos, autorretratos e São Paulo. Para dar conta da produção, outras imagens são exibidas em duas telas LED. O mosaico do artista é completado por um conjunto de objetos do seu acervo pessoal, como troféus, registros familiares e as máquinas usadas ao longo da carreira.
 
Em um vídeo é o próprio fotógrafo quem narra os momentos inesquecíveis atrás das câmeras. Já num grande mural, a sua obra é revelada pela imprensa. Umas das reportagens que preenchem o mosaico é Cidade de Luzes e Sombras, publicada pelo jornal Pedaço da Vila na edição de outubro de 2015. Naquela ocasião, Lorca nos recebeu em seu estúdio no bairro.
 
A exposição reúne as fotos mais icônicas da sua carreira. É o caso de Fogo no Bonde (1947), um flagrante de um bonde em chamas no centro de São Paulo durante um protesto contra o aumento da tarifa. Ou a famosa Menina na Chuva (1954). Para criar a imagem, Lorca revelou ter feito sua sobrinha saltar uma poça d’água dezenas de vezes. Há ainda a premiada foto Oca (1954), feita nas comemorações do IV Centenário de São Paulo.
 
Com olhar de cronista, German Lorca registrou o pulsar de uma cidade em plena modernização. Seja nos ensaios que fez acontecer ou nos flagras que lhe aconteceram, criou narrativas sensíveis a partir do movimento de luzes e sombras. Exposta à luz do tempo, a sua obra ilumina não somente a história da fotografia moderna brasileira, mas sobretudo a história de uma época de profundas belezas e contradições.
 
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Exposição German Lorca, Mosaico do Tempo. Local: Itaú Cultural - Av. Paulista 149.
Visitação: de terça a sexta, das 9h às 20h; sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h. Grátis

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