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17/08/2018 - Edição 185 - Ago/2018
Zaqueu Fogaça

Vila modernista
Antigo Matadouro, atual Cinemateca Brasileira/Aurelio Becherini/PMSP

Neste sábado (18) e domingo (19), a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo promove mais uma Jornada do Patrimônio. Sob o tema “Uma Cidade, Muitas Mãos”, o evento valoriza os diversos grupos que construíram o patrimônio cultural da cidade e a identidade paulistana.

 “Nesta edição, vamos organizar a programação por região, remetendo aos grupos de pessoas como nordestinos, alemães, italianos, japoneses, árabes, portugueses e muitos outros imigrantes. Essa pluralidade está presente na arquitetura, na gastronomia, no comércio e nos costumes, que podem ser conferidos durante o evento”, destaca o Secretário Municipal de Cultura André Sturm.

Toda a programação da Jornada do Patrimônio é gratuita e tem como o objetivo a aproximação da população aos espaços históricos. Em toda a cidade serão realizadas 300 atividades, distribuídas em roteiros, palestras, oficinas, visitação a imóveis, visitas guiadas e lançamentos de livros.

A Vila Mariana na vanguarda modernista

No panorama da Jornada, a Vila Mariana destaca-se como berço do modernismo na arquitetura brasileira. A primeira residência construída no país com essa linguagem figura até hoje na paisagem do bairro e é conhecida como a Casa Modernista da Rua Santa Cruz. Ela foi construída em 1928 pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik e serviu de moradia para a sua família.

No ano seguinte, Gregori projetou o conjunto moderno conhecido como Vila Modernista da Rua Berta. Na mesma rua, em 1932, também projetou a residência do pintor, escultor e gravurista lituano radicado no Brasil Lasar Segall. Desde 1967, o imóvel é sede do museu dedicado ao artista.

A consolidação do bairro como núcleo da moderna arquitetura brasileira ocorreu com a criação do Parque Ibirapuera e as edificações projetadas por Oscar Niemeyer. O complexo arquitetônico abriga a Fundação Bienal, o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu Afro Brasil, a OCA, o Pavilhão das Culturas Brasileiras, o Auditório Ibirapuera e o Planetário.

No entorno do parque estão outras obras icônicas do bairro, como o prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC), também projetado por Niemeyer, o Monumento às Bandeiras, obra do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret, o conjunto do Obelisco e o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, que abriga os despojos dos ex-combatentes da Revolução de 1932.

Na rua Borges Lagoa 650, o edifício do Teatro João Caetano é outro remanescente modernista no bairro. Construído no início da década de 1950, é um dos exemplares do Convênio Escolar, programa de construção de edifícios educacionais. O nome do teatro presta homenagem ao ator e encenador brasileiro que fundou a primeira companhia de atores nacionais.

Além das grandes edificações, a linguagem vanguardista no arquitetura do bairro também se estende aos casarios. Um dos exemplares mais notórios é o Conjunto Residencial Jardim Ana Rosa (1960), de Abelardo de Souza, Eduardo Kneese de Mello e Salvador Candia. Ele é formado por nove edificações e ocupa um quarteirão da rua José de Queiroz Aranha.

As linhas modernistas que desenham a paisagem dividem os espaços com outras fundamentais na história do bairro. Nesta edição da Jornada, outros estilos terão suas histórias revisitadas. É o caso do grandioso edifício art déco do Instituto Biológico. Projetado pelo arquiteto Mário Whately, ele começou a ser construído em 1928 e só foi concluído em 1945.

O bairro, no entanto, carcateriza-se pela diversidade de estilos. No Largo Senador Raul Cardoso há a Cinemateca Brasileira, intalada no complexo de prédios construídos no fim do século 19 para abrigar o Matadouro da Vila Mariana. Ele funcionou até 1927 e atraiu muitos imigrantes que ajudaram a formar a identidade do bairro.

Na Rua Humberto I 298, a igreja em estilo brutalista projetada pelo arquiteto de origem austríaca Hans Broos (1921-2011) preserva a participação da comunidade alemã na construção do patrimônio arquitetônico do bairro. Inaugurada em 1964, ela foi tombada este ano pelo Conpresp.

Clique nos links a seguir e confira a programação da Jornada do Patrimônio em toda a cidade. Em algumas programações é preciso fazer inscrição. Fique atento!

PALESTRAS

OFICINAS

ROTEIROS DE MEMÓRIAS

IMÓVEIS 

LANÇAMENTOS DE LIVROS

POR REGIÃO: ZONA SUL

PROGRAMAÇÃO NA ZONA SUL

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Para saber mais: Conpresp tomba 23 edifícios históricos do bairro

 


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