MEMÓRIAS DA VILA
14/08/2018 - Edição 185 - Ago/2018
Cacá Bloise

O Levy, o Tanabe e as Carpas

Eu e o Levy (Milton Levy) sempre tivemos amigos japoneses. Um deles é o famoso Paulinho Tanabe, filho do saudoso Seu Acácio e da Dona Elza Tanabe, donos do extinto armazém de secos e molhados nas esquinas da Rua Áurea com Joaquim Távora. 

Os japoneses são uma grande colônia na Vila Mariana e sempre nos presentearam com seus hábitos, culinária e cultura.
 
Foi por intermédio deles, após uma grande campanha de amor pela cidade, que, em 1954, na inauguração do Ibirapuera, a comunidade Japonesa presenteou o Parque com o “Pavilhão Japonês”, uma réplica do Palácio Katsura de Kioto, feita no Japão e transportada para São Paulo.
 
Eu, o Levy e a nossa galera sempre íamos ao Pavilhão Japonês ali do lado do Planetário e pertinho do portão 3 para brincar com o cardume de carpas espetaculares que ficam no lago em baixo do pavilhão. É de uma beleza extraordinária.
 
Um dia...é lógico, o Levy, fez que fez, que empurrou o Paulinho Japonês para dentro d’água num “chuá” maravilhoso, deixando-o todo encharcado e as carpas enlouquecidas. Tudo para gente rir muito. Tomamos uma superbronca do administrador do local, lógico.
 
Lá nós tivemos a chance de assistir a várias palestras onde aprendemos que o projeto, executado pelo professor Sutemi Horiguchi (da Universidade de Meiji) tem como principal característica o emprego de materiais e técnicas tradicionais japonesas. O projeto é baseado na arquitetura do estilo “Shoin”, adotado nas casas dos samurais no Japão.
 
As salas são compostas em módulos de madeira (com divisórias deslizantes, externas e internas), organicamente articuladas e marcadas pela presença do tokonoma (área destinada à exposição de pinturas, arranjos florais e cerâmica, assim como de outros nichos embutidos com prateleiras e pequenos gabinetes que decoram os ambientes. Todos os materiais foram trazidos especialmente do Japão, bem como as pedras vulcânicas do jardim, lama de Kyoto e enfeites e materiais que dão textura às paredes.
 
Tudo veio transportado em navio, desmontado e contou com inúmeros imigrantes japoneses como voluntários para auxiliar um corpo técnico que veio do Japão especialmente para a montagem no Ibirapuera.
 
O Pavilhão Japonês é um monumento símbolo da amizade entre os brasileiros e japoneses que tanto contribuíram para a colonização e o 
crescimento da nossa Vila Mariana.
 
Eu, o Milton Levy e o Paulinho Tanabe e tantos outros somos amigos até hoje e, ainda, quando vamos ao Ibira, passamos pelo Pavilhão Japonês para matar a saudade. É um lindo lugar e talvez o mais silencioso de São Paulo. Lugar de meditação.
 
E vocês? Já foram conhecer esse maravilhoso monumento oriental dentro do Ibirapuera?

Comentários
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Maria Luisa Bloise
Adorei conhecer um pouco mais da história da construção desse pavilhão. São histórias como essa que fazem a Vila Mariana ser um lugar incrível











 
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