UMAS E OUTRAS
30/07/2018 - Edição 184 - Jul/2018
Da Redação

Abrindo as portas

Há três anos e meio, a vizinha Caroline Garcia Pinto (41) resolveu dar um tempo na carreira de executiva na área de RH para respirar novos ares e trazer mais sentido à sua vida.

Esse sentido veio na mesma profissão, conta ela, só que desta vez a serviço de um novo perfil de público: pessoas em situação de rua. “Eu sempre me sensibilizei muito com as pessoas nessa situação, mas não sabia por onde começar a ajudar. Então, percebi que poderia contribuir fazendo o que eu já fazia”, revela.
 
Após realizar algumas oficinas em casas de acolhida da prefeitura, Caroline ampliou a sua atuação e fundou o Instituto Mudavidas, ONG especializada em recolocar pessoas em situação de rua no mercado de trabalho.
 
O foco do trabalho são as pessoas que possuem autonomia e já estão prestes a deixar a casa. O trabalho envolve desde a regularização de documentos, elaboração de currículo, pesquisa por vagas até o encaminhamento às entrevistas.
 
O Mudavidas também oferece capacitação profissional. Entre outros estão cursos de eletricista, marido de aluguel, mecânica, informática, costura...“Esse momento de sair em busca de emprego é muito delicado devido à frustração. É um momento decisivo para eles. O apoio emocional é fundamental. O nosso trabalho tem levado um pouco de esperança a essas pessoas”.
 
A vizinha explica que os trabalhos são realizados em seis casas de acolhida da cidade. Nesse período de atuação já passaram mais de 1 mil pessoas pelo projeto, diz ela. “O nosso papel é identificar os talentos”.
 
Hoje, a prefeitura estima que são cerca de 26 mil pessoas em situação de rua na cidade; só na Vila Mariana são mais de 500. 
 
A reinserção de pessoas em situação de rua no mercado de trabalho também esbarra na rejeição, lamenta Caroline. “Muitas empresas têm preconceito na hora de contratar uma pessoa que esteve em situação de rua. Precisamos dar oportunidades verdadeiras”.
 
Para reverter esse quadro que só piora na cidade, a vizinha ressalta que é preciso participação de todos. “Temos que participar de fato, cobrar a prefeitura, fiscalizar, acionar a assistência social. O que não podemos é achar que morador de rua é parte da paisagem”.

Comentários
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DARIO DOS REIS
Parabéns à Caroline por sua iniciativa. Precisamos de mais profissionais como você, preocupados com o entorno da sua cidade, dispostos a dedicar um pouco do seu conhecimento e tempo para ajudar na solução dos problemas da cidade.











 
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