MEMÓRIAS DA VILA
26/07/2018 - Edição 184 - Jul/2018
Cacá Bloise

Atenção, Marinheiros!... Caravela à vista

Foi a frase que o Milton Levy gritou quando tiraram os tapumes que escondiam uma obra na Av. 23 de Maio, que demorou meses para ficar pronta. Era apenas e tão somente uma CARAVELA monumental em tamanho quase original em meio a um lago com vegetação tropical.

Foi um escândalo para São Paulo e principalmente para a nossa Vila Mariana. A nossa turma que frequentava o New Lareira’s, do outro lado, bem em frente ao número 3001 da 23 de maio, na esquina da Rua Joinville, correu toda lá para ver aquela loucura.
 
Era uma cópia de um galeão espanhol imenso, com 4500 metros de área construída que iria ser um restaurante internacional com especialidades em frutos do mar, por isso chamado de “A CARAVELA”. 
 
Foi um absoluto sucesso paulistano por 14 anos (de 1970 à 1984), recebendo turistas do mundo todo e brasileiros de todos os cantos que vinham conhecer a CARAVELA em frente ao Obelisco do Ibirapuera. A CARAVELA da Vila Mariana era falada no Brasil e no mundo. 
 
Os puristas de arquitetura a consideravam uma esquisitice arquitetônica, poluindo a cidade e o Ibirapuera. São Paulo borbulhava. 
 
Eu e o Levy éramos músicos e já tínhamos banda. Tocávamos em vários lugares incluindo as domingueiras do Círculo Militar.  Em 1984, uma onda de “dance music” assolou o país e A CARAVELA restaurante virou a danceteria LATITUDE 3001,  (3001 alusivo ao número 3001 da 23 de maio). Novamente nós estávamos lá curtindo com a turma da Vila Mariana, dançando, tocando e se divertindo. Foi uma época muito feliz das nossas vidas. 
 
A danceteria LATITUDE 3001 tinha lago artificial com barcos, salão de jogos, pizzaria, restaurante, local de shows e espetáculos, pista de dança, espaços externos, convés, proa e popa e muita loucura. Gente jovem e bonita trafegava nos seus espaços monumentais e modernos, alucinadamente. 
 
Uma badalada casta de artistas nacionais e internacionais, sucessos da época, se apresentou no Latitude: BandaMetrô, Capital Inicial, Barão Vermelho, Blitz e muitos outros! Incluindo uma figura que fez muito sucesso no Brasil, trazida pelo cantor Supla: Nina Hagen, a Garota de Berlin. Uma pop-rock star alemã muito louca e competente que conquistou o Brasil.
 
Muitos casamentos e festas de família também eram realizados, muitos de vilamarianenses.
 
Depois de uns 4 anos de sucesso estrondoso, o LATITUDE 3001 e a “dance music” desapareceram da cena paulistana... A maior vocação daquela caravela era a música, que tornava aquele espaço diferente, pois ele combinava incrívelmente com os jovens e suas aventuras. 
 
Eu e o Milton Levy continuávamos atacando em todas. E no fim dos 80,  o ritmo LAMBADA tomou conta do país, revelando o Grupo Kaoma, Beto Barbosa e tantos outros artistas, chacoalhando o Brasil de Norte a Sul.  
 
Para ficar na onda, também o LATITUDE virou LAMBA REGGAE e arregaçou Sampa por mais uns poucos meses, porque a febre lambadística foi rápida e passageira. O Milton Levy gritou: A CARAVELA NAUFRAGOUUUUUUU!!!!
 
E foi assim que a Caravela se despediu de São Paulo e do seu enorme sucesso, não sem antes virar uma loja de material de construção, um lava-rápido até naufragar totalmente em 1995, deixando o número 3001 da Av. 23 de Maio e desaparecendo no oceano da nostalgia.
 
E o Milton Levy sempre muito engraçadinho, gritou: RAPAZES...PEGUEM SEUS COLETES. A CARAVELA AFUNDOUUUUUUUUU!!!!!!! 

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