MEMÓRIAS DA VILA
29/06/2018 - Edição 183 - Mai/2018
Cacá Bloise

Uma turma que apostava em carros de doces

Parece coisa de criança. E na verdade é.

Nos anos 60 e 70 na Vila Mariana existiam muitas “turmas” que eram amigos que andavam juntos. Um tipo de “galerinha” dos dias de hoje. A minha turma e do Levy ficava na esquina da Rua Morgado de Matheus com a Rua Rio Grande numa padaria que se chamava Macau, onde hoje é a Casa de Pães Vovó Lia. Alí, a gente se encontrava depois da escola e nas horas de lazer para conversar, jogar bola, tocar violão, cantar e namorar.
 
Tínhamos uma brincadeira que era jogar nos números finais das placas dos automóveis que passavam na rua. E quem ganhava saboreava refrigerantes, lanches e doces que o perdedor pagava.
 
Nesses tempos existiam muitos armazéns de secos e molhados na Vila Mariana, pois ainda não havia muitos supermercados. As entregas de mercadorias para os comerciantes eram feitas em kombis, peruas, furgões e pequenos caminhões. Muitos desses carros de transporte passavam na nossa esquina e eram alvo dos nossos jogos. Você tinha que acertar o nome do produto do próximo carro de mercadorias que fosse passar. Era uma coisa de louco. Quantas vezes eu perdi meu lanche porque tinha apostado num carro da Lacta e passava um carro do Drops Dulcora. Dava muita raiva.
 
Todos os dias, semanas após semanas, meses após meses, anos após anos, os carros que passavam tinham as marcas que povoavam a nossa imaginação gulosa. As marcas cresciam e a cada dia apareciam novos produtos.
 
Eu nunca me esquecerei da Kombi do Drops Dulcora (que vinha um monte dentro de uma caixinha quadrada), do caminhão do sorvete Kibom, (um dia o motorista abriu a porta e deixou a gente entrar naquele gelo com um casaco que ele usava), da perua dos Doces Bela Vista (paçoca, doce de abóbora e doce de babata doce) — que o dono as vezes distribuía para as crianças —, das peruas da Lacta e seus Diamante Negro e bombom Sonho de Valsa,  da perua das Balas Confiança e sua famosa paçoca AMOR, do furgão da Batata Chips Fritex, do ‘caminhãozão’ do Leite Leco e seus ‘litros’ de leite, do caminhão incrível do Pão Pulman que o dono deixava a gente subir no estribo e dar uma volta, das peruas da Manteiga Aviação, do carro incrível supersônico do chocolate Pan, do caminhão da Sadia, do Leite Vigor, dos Biscoitos Duchen (com as famosas bolachas “palitos de chocolate”), de uma perua incrível do Pão de Açúcar, que quando abria as portas traseiras exalava aquele cheiro de pão francês quentinho e de pão com açúcar em cima, do caminhão da Tostines, das peruas da Varig e da Transbrasil, do caminhão da Yakult, dos carros da Ultragás e do fusca da Telesp, sem contar as lambretas que entregavam pães e guloseimas.
 
A Vila Mariana sempre teve um comércio pujante para atender aos seus moradores. Todas as marcas mais famosas queriam vender para os fregueses do bairro. 
Para nós, jovens, as marcas mais famosas do Brasil, naquele tempo, fizeram parte de brincadeiras e disputas juvenis alegres e divertidas.
 
Hoje, a saudade nos faz ver que aquela brin-cadeira marcou um tempo maravilhoso. Um tempo de amizade de adolescentes que são ami-gos até hoje. E muitas dessas marcas ainda povoam a nossa imaginação. A Vila Mariana tem um passado cheio de marcas que durarão pra sempre. 
 
Nas fotos, vocês verão muitos dos carros e marcas acima citados — uma linda recordação Vilamarianense!

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