MEMÓRIAS DA VILA
28/05/2018 - Edição 182 - Mai/2018
Cacá Bloise

Os bondes da vila

Românticos. Poéticos. Maravilhosos. A vida na Vila Mariana, em um passado recente, foi transportada pelos maravilhosos bondes. Quem andou neles pode comprovar que era absolutamente fantástico: deslizavam pelos trilhos com suavidade e elegância.

As janelas todas abertas faziam o vento passar pelos seus corredores esvoaçando o cabelo das moças da época. Os homens andavam em pé nos seus "estribos" como se estivessem se mostrando numa vitrine. 
 
O som dos bondes em andamento chamava a atenção pela suavidade. Eles deslizavam pelos trilhos. Os bondes que atravessavam a Vila Mariana vinham do Centro da cidade, Praça João Mendes pela Avenida Liberdade, rodavam pela Rua Vergueiro, depois Largo Ana Rosa, desciam  a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves até o Instituto Biológico, onde os trilhos entravam numa linda estrada de pedras que os conduziam até o Largo 13 de Maio em Santo Amaro. Uma viagem de mais ou menos 2 horas atravessando a cidade por dentro do bairro.
 
Um trajeto de sonhos para crianças e adultos nesses lindos veículos que deixaram saudades. Essa “história” começa quando Don Pedro II traz os “primeiros trens” para São Paulo em 1886. Em 1900, o “serviço de trens” foi transformado em “serviço de bondes”, que iniciaram suas operações do centro da cidade para o bairro do Jabaquara. Uma das linhas de trens foi substituída, em 7 de julho de 1913, por uma linha de bondes, que vinha do Centro, passava na Rua Domingos de Morais, descia a Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, seguindo pelas regiões de Ibirapuera, Moema, Indianópolis, Campo Belo, Brooklin Paulista e Alto da Boa Vista, dando origem ao que hoje são a Avenida Ibirapuera e a Avenida Vereador José Diniz. As paradas dessa linha que se chamava Centro/Santo Amaro eram: Ipê, Ibirapuera, Libanesa, Moema, Largo Franco, Indianópolis, Pavão, Força, Vila Helena, Campo Belo, Piraquara, Frei Gaspar, Volta Redonda, Brooklin Paulista, Petrópolis, Floriano, Alto da Boa Vista, Pouso Alegre e Marechal Deodoro. A partir desta seguia pela avenida Santo Amaro, parando em frente ao Colégio Jesus Maria José e Linneu Prestes. O terminal era no famoso Largo 13 de Maio.  A linha de Santo Amaro, que atravessava a Vila Mariana, foi desativada em 27 de março de 1968. Foi a última linha de bondes de São Paulo. 
 
Há muitas histórias com os bondes. Uma em especial, a da primeira vez em que “cabulamos aulas” e pegamos o bonde sozinhos, sem a família, para Santo Amaro. Era quase como fugir de casa para sempre. Kkkkkkkkkkk. 
 
Foi uma aventura espetacular com direito a bonde aberto, subidas e descidas em todos os pontos de parada, muita farra e um super piquenique com direito a lanche e guaraná, que tomamos dentro do bonde andando. 
 
Uma das maiores aventuras para meninos de colégio. Inesquecível. 
 
Vocês verão nas fotos os bondes fechados, os famosos “camarões”, bondes abertos, bondes de carga que carregavam as carnes de bois no Largo do Matadouro, os primeiros bondes e o último bonde que rodou pelos trilhos da nossa Vila Mariana.

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