UMAS E OUTRAS
27/11/2017 - Edição 177 - Nov/2017
Zaqueu Fogaça

A pequena notável

Construída no terreno de 416,80 m² do número 557, a praça da Rua Botucatu possui quatro bancos, um pequeno palco, brinquedos para as crianças, aparelhos de ginástica para os idosos, gramado, piso permeável e muros cobertos por grafites. No chão, um caminho de mosaico simboliza a passagem de um rio que passa por debaixo do terreno.

Essa pequena praça, que atendeu às necessidades dos moradores do entorno e foi idealizada pelo conselheiro participativo José Carlos Cavalcanti, foi projetada voluntariamente pelos arquitetos, e também conselheiros participativos, Raphael Popovic e Aline Ostrowska, sócios do escritório Popovic & Ostrowska Arquitetura. “Ele foi feito de maneira coletiva. Conversamos com os vizinhos e apenas traduzimos o que eles nos pediram”, conta Aline.
 
A participação da comunidade na construção da praça foi decisiva, diz ela. “O projeto que a prefeitura tinha feito previa muito concreto. Fizemos um novo projeto junto com os moradores e todos ajudaram, desde a elaboração até a concretização. Muitos materiais foram comprados por meio de vaquinha, outros foram doados. Todos se reuniram para plantar árvores, pintar os muros... Uma prova de que, se trabalharmos juntos, em pouco tempo deixaremos as nossas praças lindas”. Raphael completa: É dessa colaboração que a cidade precisa”.
 
Foi para multiplicar essa ideia colaborativa que o projeto foi inscrito na Bienal de Arquitetura, revela Aline. “Esta edição da Bienal está fantástica e mostra como as iniciativas locais estão melhorando a qualidade de vida no espaço urbano. Precisamos interagir mais com a nossa cidade e construir espaços mais humanizados de acordo com os conceitos de sustentabilidade, de mobilidade, de acessibilidade e de convivência; e foi isso que conseguimos aqui”.
 
A batalha pela construção da praça levou mais de cinco anos, recorda-se Raphael. “A luta começou em 2011 com o professor Cavalcanti, que reuniu mais de 5 mil assinaturas e apresentou a demanda ao Conselho Participativo Municipal e a prefeitura regional da Vila Mariana. Em seguida, foi preciso acompanhar a obra para que o projeto fosse respeitado. A prefeitura construiu uma escada de concreto que não tinha no projeto e um palco muito alto. Teve que quebrar e refazer; só gastou dinheiro. Se não tivéssemos uma participação social e um Conselho Participativo Municipal engajado, as solicitações dos moradores não seriam respeitadas”.
 
Aline também lamenta que foi preciso a praça ser reconhecida por um evento do porte da Bienal de Arquitetura para receber a devida atenção do poder público. “Agora, a prefeitura regional quer reinaugurá-la. Mas, quando debatíamos sobre a sua construção, não nos davam esclarecimentos; esse diálogo foi muito complicado e frustrante, pois o poder público ainda é muito autoritário e não sabe ouvir os moradores. A cidade precisa ser pensada para os moradores”.
 
Enquanto é celebrada na Bienal de Arquitetura e aproveitada pelos moradores do bairro, a praça da Rua Botucatu também está prestes a receber um nome oficial: Praça Janela do Sol,  escolhido por votação pela comunidade do entorno. O projeto de lei de nomeação segue em tramitação na Câmara dos Vereados e já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça. Após ser sancionado, a prefeitura regional irá reinaugurar a praça.
 
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11ª Bienal de Arquitetura
Local: Vila Itororó: Rua Pedroso, 238, Bela Vista
Visitação: Até janeiro de 2018

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