UMAS E OUTRAS
27/11/2017 - Edição 177 - Nov/2017
Marcella Larocca

A sangue frio

Uma morte brutal ocorreu no dia 9 de novembro, quarta-feira, próximo às 17h, na favela Mário Cardim. Mateus Vieira de Jesus, 20 anos, foi assassinado ao lado de sua filha de dois anos com 6 tiros enquanto participativa de uma festa de aniversário.

Segundo os moradores, 3 homens, um deles vestido com o uniforme da Eletropaulo, entraram na Viela Sergipe e, um deles, depois de uma discussão, deu dois tiros no rapaz. Ao ir embora, o outro indivíduo, que ficou na saída da viela, voltou e matou Mateus com mais 4 tiros. Eles foram vistos  fugindo em direção à Rua Rio Grande. 
 
O aniversariante Alexandre Gomes da Silva, de 22 anos, também foi atingido no cotovelo direito por um tiro de raspão e foi socorrido pelo primo e levado ao Hospital da Luz. Alexandre testemunhou que não sabe a motivação do crime, mas acredita que foi alvejado porque estava o local. “Eu não era a pessoa que os bandidos procuravam”.
 
Mateus foi levado ao PS São Paulo, com um tiro na cabeça, na perna, no pescoço e no tórax. Uma das enfermeiras, segundo o BO, entregou aos policiais um saquinho plástico que estava guardado dentro da roupa do rapaz. Nele estavam trouxinhas de maconha, fato veementemente negado pela família.
 
Os moradores da comunidade se revoltaram. No dia seguinte, fizeram uma manifestação, fechando a Rua Mário Cardim e colocando fogo em caçambas. A rua permaneceu fechada até a noite, sob os cuidados de viaturas da PM.
 
Embora o caso tenha sido registrado no 27º Distrito Policial (a delegacia da Rua Tutoia fecha depois das 18h), fomos apurar a ocorrência no 36º Distrito Policial, que é a delegacia responsável pela área e representada nas reuniões do Conseg, pois foi ventilado que o crime teria sido praticado pela Polícia Civil. 
 
O Delegado Titular, Doutor Marco Antônio Dario, e o Chefe de Investigaçãos, Silvio Cavallaro, contaram que é impossível que tenha sido gente da 36º DP, pois, no momento do crime, todos estavam na delegacia trabalhando. Dario disse que foi instaurado um inquérito policial no 27º DP e o caso foi enviado para o DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) e para à Corregedoria da Polícia Civil. “Por terem ventilado que os responsáveis pelo homicídio eram agentes da Polícia Civil, enviamos o caso para a Corregedoria por uma questão de transparência. Mas, posso afirmar que esse tipo de ação não é o modus operandis da polícia”, esclarece Dário. “As equipes responsáveis estão colhendo provas no local para identificar os autores do crime”.
 
Segundo Cícera Vieira, mãe de Mateus e presidente da Associação Mãos Unidas,“há tempos sentia que uma desgraça poderia acontecer. Já havia visitado a PM e a 36º DP para pedir para que ficassem de olho, pois esses assassinos desde o começo do ano vinham aqui para arranjar confusão. Infelizmente nada foi feito. Mas creio que Deus ajudará a encontrar os responsáveis pela morte de meu filho. Um deles já foi identificado”, adiantou.
 
A favela da Mário Cardim está no pedaço há cerca de 50 anos. E, se por um lado, os moradores convivem com traficantes de drogas, sujeira e problemas de urbanização, por outro, a maioria, cerca de 450 famílias, são trabalhadores, e muitos deles pelo bairro: como seguranças de escola, porteiros, atendentes de padaria, garçons, entre outros serviços. Mateus cresceu no pedaço e era muito conhecido. A comunidade está de luto.

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