UMAS E OUTRAS
24/08/2017 - Edição 174 - Ago/2017
Zaqueu Fogaça

Fora do Lugar

A feira de orgânicos do Modelódromo do Ibirapuera já faz parte da rotina dos paulistanos. Em cinco anos de existência, ela transformou o pedaço no mais importante espaço de convivência entre produtores, feirantes e consumidores de orgânicos da cidade; e tornou-se até um ponto turístico.  

Com 32 barracas que beneficiam mil famílias de pequenos agricultores, a feira oferece uma diversidade de produtos e serviços: café da manhã, grãos, pães, mudas de plantas, verduras, degustações e orientações de chefs, rodas de conversa com nutricionistas, oficinas para crianças, além de receber professores e alunos para atividades sobre educação alimentar.
 
Nos últimos três meses, no entanto, o público de 2 mil pessoas que é atraído em todos os sábados sofreu uma queda de 40%. O motivo, segundo os feirantes, foi a retirada da feira do seu ponto tradicional — em maio deste ano — para ao início das obras da Praça Ayrton Senna. Desde então ela vem sendo realizada do lado de fora da praça, na Rua Curitiba, 292.
 
Esse remanejo era inesperado, afirma a feirante Rachel Soraggi (58). “O combinado com o secretário de Esportes, Lazer e Recreação, Jorge Damião, órgão responsável pela área, foi que a feira voltaria ao seu ponto de origem após deixarmos ela mais bonita, como ele nos pediu. Compramos novos uniformes, trocamos muitas barracas e toldos ...”. O total investido foi R$ 88 mil reais.
 
Na manhã do dia 1º de julho, data preestabelecida para o retorno, veio o susto. “Quando chegamos para montar a feira, encontramos o portão trancado. Foi só então que a Secretaria de Esportes nos informou que não poderíamos mais voltar à praça porque o piso instalado não suportaria o peso dos caminhões de abastecimento. O piso não foi feito como nos foi prometido”, lamenta a feirante.
 
Para resolver o impasse, os feirantes e produtores apresentaram uma contraproposta: deixar os caminhões na rua e contratar carregadores para transportar a mercadoria até as barracas. Mas ela não foi aceita, diz Rachel. A justificativa é que o piso é poroso, branco, que ele vai sujar e não tem como lavar. “O problema está no piso”.
 
Na última reunião na Secretaria de Esportes, na quinta-feira (9), os feirantes receberam dois novos endereços para abrigar a feira. O primeiro, dentro da pista de aeromodelismo, não pareceu adequado. “Não queremos incomodar e nem criar conflitos com os frequentadores do aeromodelismo”, teme Rachel. O segundo, diz ela, é a área ao redor da pista de aeromodelismo, no estacionamento.
 
“Estamos avaliando esse novo local e iremos solicitar um estudo para ver se ele comporta ou não a feira; ao que parece ele é bem estreito. A nossa mudança de endereço dependerá desse estudo. A feira de orgânicos não é só de comércio, é um espaço de convivência e não pode ficar espremida num canto”, argumenta a feirante.
 
Para a Secretaria de Esportes, no entanto, o novo local apresentado será mais ideal para abrigar a feira de orgânicos, pois ele está localizado a apenas a trinta metros do endereço original e poderá receber os caminhões de abastecimento dos produtores.
 
A incerteza quanto ao destino da feira gera apreensão entre os feirantes, revela Rachel. “Nos prometeram um piso e fizeram outro. Se soubéssemos, não teríamos feito essa dívida. Estamos vivendo um momento complicado, pois as coisas não andam fáceis para nenhum feirante. A feira, apesar do sucesso, é um comércio sensível e está numa situação de risco”, argumenta.
 
EM DEFESA DA FEIRA
 
Essa não é a primeira vez que a feira de orgânicos do Modelódromo passa por dificuldades. Em 2014 a Secretaria Municipal de Esportes cogitou retirá-la da praça. À época, a mudança não foi consumada graças à uma série de mobilizações encampadas pelos produtores, feirantes e frequentadores. Isso animou os interessados a abrir nova petição no site do AVAAZ.ORG. Nela, os frequentadores, apoiados pelos feirantes e produtores, pedem que a feira volte a ser realizada na praça Ayrton Senna.
 
O documento, que já conta com mais de quase 16 mil assinaturas, será destinado ao prefeito João Dória e a Jorge Damião.
 
Diferentes personalidades da gastronomia já aderiram à mobilização, entre elas a chef argentina Paola Carosella. Em seu Facebook, a frequentadora escreveu: “Uma feira num parque é, além de um lugar para comprar produtos de agricultura limpa, é um espaço de convívio, de aprendizado e uma forma de respeitar mais a cidade onde moramos”.
 
Para assinar a petição para ajudar a feira  orgânica voltar ao seu espaço original, clique aqui

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