UMAS E OUTRAS
24/08/2017 - Edição 174 - Ago/2017
Zaqueu Fogaça

Pelo caminho

A tradutora Diana Sabagg (36), cadeirante, e o escriturário Vinicios da Costa Silva (27), deficiente visual, protagonizam boas histórias no dia a dia. E, para compartilhar todos os capítulos aos amigos e seguidores, eles criaram uma página no Facebook chamada “Olha por ande anda: um casal que caminha e olha para o mesmo horizonte”.

Moradora da Av. Conselheiro Rodrigues Alves, Diana conta que a página foi criada para celebrar o amor e a diversidade. “O maior intuito é mostrar que, apesar do credo, da cor, da deficiência, de qualquer diferença, o que importa é o amor. Eu nunca tinha namorado um deficiente visual e o Vini nunca tinha namorado uma cadeirante. Foi uma novidade para os dois”, revela.
 
O principal obstáculo enfrentado nas ruas já é bem conhecido por ambos: a falta de acessibilidade. “As calçadas estão muito esburacadas. A bengala dele enrosca, a rodinha da minha cadeira enrosca, ele tropeça, eu me desequilibro...  Olha, eu já posso dizer que sou uma profissional do tombo, pois conheço todos os buracos do bairro. Além disso os comércios não têm rampa e nem cardápio em braile”.
 
Diana e Vinicios se conheceram no palco do teatro Dias Gomes, na Rua Domingos de Morais, na Oficina dos Menestréis. Durante os ensaios do espetáculo Noturno, costumavam ouvir do diretor Deto Montenegro a mesma orientação: “O cadeirante será os olhos do cego e o cego será as pernas do cadeirante”. E assim foi, e assim continua sendo nos palcos da vida real. “Um completa o outro”, diz Diana.
 
Além de compartilhar muitas situações engraçadas, o casal não deixa de abordar as dificuldades que os portadores de deficiência enfrentam no cotidiano. “Muitas vezes deixamos de ir ao cinema porque o filme não é acessível, não tem legenda e não é dublado. Já imaginou ir ao cinema e não conseguir captar o filme?”, questiona ela. E completa: “Pois é, as pessoas com deficiência visual e auditiva passam muito por isso”.
 
Umas das pérolas de Olhe Por Anda ocorreu na Av. Vergueiro e foi uma cena digna de um filme romântico. “Nós fomos nos abraçar e eu perdi o meu equilíbrio. O Vini ainda tentou me segurar e caímos grudadinhos, em câmera lenta, eu em cima dele. Foi o tombo mais macio da minha vida”, se diverte a vizinha. “Amar é isso, cair e levantar juntos”. E estar consciente de que juntos irão suprir a necessidade um do outro! 

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