UMAS E OUTRAS
26/05/2017 - Edição 171 - Mai/2017
Denise Delfim

Fauna urbana

O conhecimento sobre a fauna silvestre no município de São Paulo com a intenção de elaborar um plano de manejo e conservação é realizado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA, por meio da Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre desde 1993. 

O último levantamento da biodiversidade foi apresentado em dezembro de 2016. Para isso, pesquisadores foram a campo em 138 áreas e cinco corpos hídricos: de proteção ambiental (APA´s), em Capivari-Monos e Bororé-Colônia, e em parques urbanos, lineares e naturais, entre outras áreas verdes do município. “Fizemos levantamento em todas as partes e fomos lá para conferir. É um inventário pioneiro, apenas Guarulhos fez um, baseado no estudo da gente, e estamos inspirando outros municípios. É um instrumento de política pública, pois, com esse material, você tem condição de fazer muitos estudos”, explica Anelisa Magalhães, bióloga da Prefeitura desde 1992.
 
O estudo utilizou os seguintes métodos para a coleta de dados: binóculos, para registrar a fauna observada e ouvida, gravações e execução de playbacks, especialmente para aves e primatas, e armadilhas para captura de animais para o estudo da espécie e registro fotográfico. No último levantamento, foi registrada uma onça pintada na Zona Sul. “As matas estão distribuídas na Zona Norte e Zona Sul, onde estão as represas. Uma área muito rica e de proteção ambiental, com atividade sustentável. É graças a esses cinturões verdes que a ave vem para o centro urbano”, esclarece.
 
O inventário reúne seis grupos de invertebrados e cinco de vertebrados, identificados também com a ajuda de especialistas de outras instituições. Foram registradas 1.113 espécies de Fauna, sendo consideradas 92 espécies ameaçadas de extinção. “Pela primeira vez usamos plataformas de observatórios amadores dos sites Wikiaves, Ebird e Taxeus. Graças à internet, a máquinas fotográficas, à tecnologia e às redes sociais, encontramos espécies que não conhecíamos na área. A Wikiaves revolucionou a ornitologia do Brasil! Você grava a voz, tira a foto e outros identificam e colaboram com informações extras ao estudo. Esses sites fazem parte do conceito da ciência cidadã, para que as pessoas comuns possam participar”.
 
No DEPAVE 3, no Parque Ibirapuera, onde Anelisa trabalha, muitos animais dão entrada. Eles são trazidos pela população ou pela Polícia Ambiental — atualmente 40% dos animais que chegam ao local são traficados. O trabalho é recolocá-los de volta à natureza, por isso a necessidade de se fazer de forma técnica. “O animal dá entrada aqui, os biólogos identificam a espécie, de onde ele veio e o seu histórico. Daí os veterinários examinam e, se for o caso, o animal fica internado para tratamento, mas sempre visando sua recolocação à natureza”, explica. O grupo mais atendido do Parque Ibirapuera, segundo a bióloga, são as aves. 
 
Embora a maioria dos mamíferos não consiga viver na cidade, o gambá silvestre é o animal mais comum que dá entrada no Depave 3 . “As pessoas acham ele estranho e trazem para gente. Há quem queira morar num lugar na natureza, mas na hora que chega um animal silvestre, espanta-se. É preciso acabar com essa fobia para deixar o gambá viver no seu lugar. Se fosse um esquilo ia ser diferente”. Ela esclarece que esse tipo de gambá não solta cheiro. “Ele é um marsupial, parente do canguru, que se habitou bem à cidade”.
 
Já as aves residentes do Parque Ibirapuera chegam a cerca de 170 espécies: O sabiá-laranjeira, que é o símbolo da ave do estado, os bem-te-vis, lavadeira-mascarada, as curruíras, os frangos d’água, que se reproduzem no lago, e os pica-paus, os mais festejados.  “Há aves residentes e visitantes de longas distâncias. Dependendo da época, pode vir do Hemisfério Norte.  As que migram e vêm para o parque no Verão e na Primavera, por exemplo, são a andorinha temporal, o bem-te-vi rajado, a araponga e o pavó, que chega da Mata Atlântica. Há aves visitantes em todas as épocas do ano nas áreas dos parques municipais”.
 
Anelisa defende que só quem ama, cuida. Por isso, a prefeitura, em parceria com a Ong SAVE e o observatório de aves do Instituto Butantan, promovem o Vem Passarinhar, caminhadas mensais para observar as aves nos parques municipais para, depois, participar de um piquenique e do “Papo de Passarinho”, com um convidado especial a cada mês (o no Parque Ibirapuera está previsto para outubro). “Passarinhar é um termo provocador, pois antigamente era usado para matar os passarinhos. Hoje é para conhecê-lo, escutá-lo e para despertar o outro sentido da natureza. Faz muito bem! É uma terapia!”. A bióloga convida: “A cidade tem bicho. Venha ver!”.

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