UMAS E OUTRAS
24/04/2017 - Edição 170 - Abr/2017
Zaqueu Fogaça

Quando o largo era rosa...
A falta de espaços públicos no bairro para encontrar os amigos, ler um bom livro ou simplesmente contemplar um entardecer chamou a atenção dos estudantes Fernanda Ormelezi Pitombo, Luiz Felipe do Nascimento e Luiz Filipe Rampazio. 
 
Alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, eles criaram um projeto para revitalizar um dos espaços mais reivindicados pelos moradores: o Largo Ana Rosa. O trabalho foi apresentado no fim do ano passado dentro da Disciplina Ateliê Livre e contou com a coordenação do professor Antônio Carlos Barossi e orientação da professora e vizinha Rosana Miranda.
 
 “Nós refletimos muito sobre a importância desses espaços de convivência na vida cotidiana e notamos que o Largo Ana Rosa tem um grande potencial para melhorar a qualidade de vida da região. É uma área que pode ser ampliada com a retirada da torre de respiro do metrô, que não é necessária”, diz Fernanda.
 
A ideia é resgatar a identidade cultural do Largo e reconectá-lo à vida cotidiana do bairro, explica Luiz Filipe. “O novo Largo foi pensado para ter duas funções, uma de passagem e outra de permanência. A primeira, no nível da rua, abrigará a praça e um café; já a segunda, no subsolo, acessada por uma rampa aberta, contará com salas de estudos, fab lab e atividades destinadas a todos os públicos, de jovens a idosos”.
 
A degradação do Largo não é um caso isolado, aponta Rosana. “Ele reflete a história dos espaços públicos da cidade que perderam a vida cultural em função das obras viárias. Essa área é uma cicatriz da expansão do automóvel sem qualquer projeto urbanístico para o entorno; o que nos custou a vida comunitária”.
 
A descaracterização do Largo foi contínua ao longo dos anos, primeiro com o alargamento das vias que cercam, Vergueiro e Domingos de Morais; depois com a instalação do metrô. A escultura a caçadora (1944), feita pelo artista Lélio Coluccini a pedido do então prefeito Prestes Maia, foi retirada do largo e transferida ao Parque Ibirapuera na década de 70. A obra retrata uma figura feminina que descansa sobre o dorso de um cervo.
 
A área verde da praça foi reduzida e a característica original do Largo foi modificada profundamente e a vida cultural foi condenada. “Isso ocorreu por falta de visão integrada do metrô que, com a sua chegada, não trouxe cultura, apenas shoppings. A expansão do comércio na Domingos de Morais ocupou os espaços culturais que existiam no local, como os cinemas”, explica Rosana.
 
No projeto, a praça do ‘novo Largo’ é nivelada com as duas vias. “Assim, a proporção original do Largo pode ser recuperada, pois dá a possibilidade de ampliá-lo aos finais de semana, como já acontece em outras partes da cidade. A ideia é que ele atenda a todos, estudantes e trabalhadores do entorno, pessoas que estão apenas de passagem e os moradores do bairro”, explica Luiz Felipe. 
 
Rosana explica que o Largo se tornou uma ‘ilha’ no bairro. “Ele é apenas um local de passagem dos usuários, não está integrado com o metrô nem com o terminal de ônibus. A requalificação irá suprir uma carência que temos no bairro, que é um espaço intermediário entre as residências e os dois grandes parques da região, o do Ibirapuera e o da Aclimação”.
 
A revitalização da área é uma das principais reivindicações dos moradores. Em dezembro de 2015, incomodado com o abandono do Largo Ana Rosa, o vizinho Orlando Fossa lançou a mobilização online S.O.S Largo Ana Rosa para pedir atenção ao local.
 
Essa também é uma das principais pautas defendidas pelo Conselho Participativo Municipal da Vila Mariana. O pedido dos conselheiros foi contemplado no Plano Regional e está sendo reforçado no Plano de Bairro e nas sugestões para o Plano de Metas da prefeitura.
 
Para o projeto sair do papel vai depender da participação dos moradores. “É preciso que se mobilizem com os conselhos comunitários e solicitem, junto à prefeitura regional, uma reunião para debater o assunto com a direção do metrô. Sem participação fica difícil”, opina a professora.

Comentários
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Sandra Kaba
Parabéns pelo projeto Parabéns a Orlando Fossa Seria maravilhoso para a Vila Mariana e seus moradores essa revitalização. Nasci e moro no bairro e nas imediações do Largo. É muito triste vê-lo abandonado pelo poder público e ocupado por moradores de rua, que também se encontram em situação de abandono. Vamos nos unir para que esse Projeto se torne realidade rapidamente.











 
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