ATITUDE
01/08/2016 - Edição 162 - Jul/2016
Jean Massumi

Precisamos de tantos remédios?

Meus amigos do Pedaço, o tema dessa coluna é fruto de reflexões e conversas sobre qualidade de vida e imediatismos terapêuticos, uma tendência que vem se sedimentando  com a mesma velocidade das novas descobertas da indústria farmacêutica. Talvez  as origens do problema se localizem em raízes profundas herdadas de um sistema de saúde precário  e  preocupante. Ou quem sabe, no apetite  insaciável dessa já citada indústria... E, por mais insignificante que nos sintamos diante dessas forças enormes, podemos, sim, fazer escolhas razoáveis com mais informações e conhecimento.

Quando falamos sobre “intoxicação”, geralmente vem à cabeça o abuso de substâncias entorpe-centes ou envenenamento acidental, não é mesmo? Mas, acreditem: o principal agente causador de intoxicação em seres humanos no Brasil são os medicamentos – desde 1994 ocupam o 1º lugar  de acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox).
 
O Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Ceatox) (www.ceatox.org.br) recebe centenas de chamados mensalmente por conta de intoxicações causadas por medicamentos (estima-se que aproximadamente 35% de crianças abaixo de 5  anos são vítimas dessa intoxicação). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que quase 50% dos pacientes usa medicamentos de forma incorreta. E, por fim, o Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revela que 76 % dos brasileiros fazem uso da automedicação. E pior: cerca de 32% têm o hábito de aumentar a dose por conta própria para aumentar os efeitos terapêuticos! Gente, isso é alarmante!!! Além dos já citados problemas, um outro, bem grave, é fato: tomar remédio por conta própria... Um analgésico, por exemplo, pode mascarar problemas mais sérios e confundir diagnósticos.
 
Num país que impossibilita o acesso ao sistema de saúde para grande parte da população, soa um pouco ridículo esse tipo de estatística. Mas não é aumentando o número de farmácias e facilitando a compra de analgésicos e anti-inflamatórios que vamos resolver isso. Num país onde impera a inversão de valores, somente o discernimento e a educação vão nos impedir de dar a saúde em troca da doença...
Grande abraço e até a próxima.
 
Jean Massumi é massoterapeuta
Rua Morgado de Mateus, 596.  Tel. 5908.0121    jmhara@uol.com.br

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