UMAS E OUTRAS
21/10/2014 - Edição 143 - Out/2014
Zaqueu Fogaça

Uma conversa com o escritor

LITERATURA - Um dos maiores prosadores da literatura brasileira, o mineiro Luiz Vilela coleciona títulos e prêmios. Com a coletânea de contos Você Verá (Record), lançada no início deste ano, foi contemplado com o Prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria ficção, um dos mais importantes do país.

Autor de mais de 30 obras publicadas – entre contos, novelas e romances -, Vilela esteve no pedaço, na noite do dia 30 de setembro, para debater sobre sua literatura no encontro Sempre Um Papo, realizado no Sesc Vila Mariana. Na ocasião, o autor recebeu o Pedaço da Vila para falar sobre sua relação com a escrita e os temas que norteiam sua ficção.

Primeiros passos. Eu sempre li muito literatura. Se ler já era tão bom, pensava, escrever deveria ser melhor ainda. Portanto, escrever, para mim, sempre foi uma grande empolgação; sempre me encantou a possibilidade de inventar personagens. Escrevo desde os meus 13 anos. No início, costumava pegar o que eu havia escrito e comparar com os textos de escritores que admirava.

Processos. Acho que escrever se tornou mais difícil. Escrevo um livro como se fosse o primeiro, é um confronto permanente. Costumo escrever tudo de uma só vez, sem pensar muito, e depois, aos poucos, começo a editar até encontrar o ponto que me agrada; é um escrever e cortar até eu achar que não há mais nada que eu possa retirar. Por último, leio o texto em voz alta, o que me faz perceber algo que não consigo durante a escrita, como o ritmo, por exemplo. Eu nunca dispenso a leitura em voz alta. Às vezes, e isso ocorre mais com o romance, quando me enrosco em alguma parte, eu deixo o texto na gaveta, quieto, e, mais tarde, quando o resgato, tenho melhor consciência do que não está bom.

Escrita espontânea. Quando eu escrevo, prezo muito pela espontaneidade da escrita; mas por trás dessa naturalidade se esconde um processo trabalhoso. Tem uma frase que é assim: “A grande arte esconde a arte”. É como uma casa cuja beleza final esconde todo um aparato de alvenaria, ferros e tijolos, mas que escapa aos olhos de quem vê a casa pronta.

O presente. Em minha literatura, sempre procurei me manter fiel ao presente e à vida; sempre fui muito atento a tudo o que acontece ao meu redor. Aqui cabe aquele verso do Carlos Drummond de Andrade, que gosto muito: “O presente é tão grande, não nos afastemos”.


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