UMAS E OUTRAS
- Edição 108 - Ago/2011
Daniela Catelli

Você tem formiga em casa?

A bióloga Alcione Piva passou o ano de 2010 de casa em casa, entre os bairros da Vila Mariana e Itaquera, colhendo amostras de formigas e conversando com os moradores para, em 2011, realizar a segunda parte de sua pesquisa no laboratório de pragas urbanas do Instituto Biológico.

A tese de mestrado, é uma comparação com outra pesquisa feita pela bióloga entre 1998 e 1999, que teve o objetivo de analisar a dinâmica da formiga urbana e acumular informações para o desenvolvimento de técnicas de controle. Ao todo, foram colhidas quase 20 mil amostras em 158 residências dos dois bairros.

O destaque ficou por conta da formiga Tapinoma melanocephalum, popularmente conhecida como formiga fantasma. "Ela é extremamente agressiva e tem muita facilidade de se estabelecer e deslocar outras espécies", conta a pesquisadora. No entanto, ela explica que a "fantasma" tem uma oponente à altura. "A Pheidole megacephala, ou cabeçuda, que não divide ambiente. Onde tem ‘cabeçuda’ não tem a ‘fastasma’". A pesquisa sugere que a população de formigas na Vila Mariana é de 38% de cabeçudas e 57% de fantasmas: "Nunca no mesmo local", frisa.

Os métodos para evitar e conter as formigas também foram analisados, sendo que o spray ganhou disparado. No entanto, esse método mata apenas os indivíduos expostos. "Não adianta aplicar inseticida e deixar disponível alimento e abrigo", completa Alcione. A solução mais eficaz são iscas à base de ácido bórico, que podem ser aplicadas por profissionais ou encontradas em mercados e casas de aves.

A pesquisa também traçou os fatores para o aparecimento desses hóspedes indesejáveis. Casas mal conservadas têm maior número de espécies, e aquelas com menos limpeza, mais indivíduos. "A manutenção do imóvel é importante, pois elas podem se alojar em paredes com pequenos buracos, madeiras corroídas e no piso."

Quanto maior o jardim, maior a abundância de formigas. Mas nada de acabar com o verde da casa. Nele, as formigas encontram abrigo e alimento, e acabam ficando por lá mesmo, sem entrar na residência e incomodar os moradores. Ter animais domésticos diminui o número de espécies de formigas, pois eles causam perturbação em seus ninhos. Já as crianças proporcionam o aparecimento das formigas "fantasma". Alcione acredita que esse fato está ligado às migalhas que as crianças acabam deixando cair. "Para não ter formiga, uma casa tem de ter cachorro e não ter criança", brinca.

O incômodo causado pelas formigas foi o principal problema mencionado pelos moradores. Vale lembrar que elas transmitem doenças, e algumas espécies possuem veneno, que pode ser letal a pessoas alérgicas e crianças. É o caso da Solenopsis sp, conhecida como lava-pés, que se aloja nos jardins e faz um pequeno monte de terra. Para contê-las, Alcione sugere uma mistura de detergente e água, em partes iguais, que deve ser jogada no ninho durante sete ou dez dias. Apesar de ser uma ação paliativa, pode afastá-las por um bom tempo. "Se voltarem, repita o procedimento", indica.

Orientada pela professora Dra. Ana Eugênia de Carvalho Campos, Alcione defendeu sua tese em 25 de maio deste ano. Atualmente, está escrevendo um artigo para publicar em uma revista científica e participará do Congresso Internacional de Pragas Urbanas, que ocorrerá em Ouro Preto, MG, no final do ano. A bióloga aproveita a oportunidade para agradecer a todos os moradores da Vila Mariana pela confiança e colaboração!


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