ATITUDE
- Edição 96 - Jul/2010
Denise Delfim

Espiritualidade Global no início do milênio

Após a Conferência Mundial sobre o Clima, estamos vivendo dias, em que o cuidado com a natureza não foi suficientemente ouvido pelas nações, reunidas em Copenhagen, em dezembro de 2009. Nenhuma mudança relevante se notou no planeta e na maneira como, especialmente, as nações industrializadas se relacionam com a natureza. Em distintos locais do mundo, é observado o mesmo fenômeno, que alguns sociólogos chamam de doença da solidariedade, como descreveu por exemplo, o ativista social da Índia, Swami Agnivesh: “A Índia, com uma população de 1 bilhão e quase 200 milhões de habitantes, considerada por seus governantes como país emergente, possui cerca de 800 milhões vivendo com menos de 50 centavos de dólar por dia; e não mudamos este quadro ao nosso redor, mesmo dispondo de tantos recursos em nossa época.” Neste contexto, escrevo de Amã, na Jordânia, quando participo do Conselho Global da Iniciativa das Religiões Unidas — URI — www.uri.org, reunido para celebrar o décimo aniversário da assinatura de sua Carta. Isso significa que, por dez anos, pessoas em todas as regiões do planeta, encantadas com a espiritualidade expressa no texto da Carta da URI, uniram-se em quase 500 Círculos de Cooperação em prol da Paz, Justiça e Cura; e para erradicar a violência por motivação religiosa. Em um grupo de representantes eleitos pela comunidade global, que hoje é calculada em cerca de 10.000 participantes, estão 30 Conselheiros Globais (ou Trustees), representando a diversidade. De forma espontânea, a cada manhã, como uma grande linha espiritual a alimentar e discernir os trabalhos diários, as Celebrações Espirituais inter-religiosas têm convidado a Grande Mãe de todos para nos ativar no Grande Amor, como Grande Família planetária que somos. E assim como todos temos uma mãe que, graciosamente, nos gerou e cuida, pensamos na segunda mãe, que temos como membros da grande família humana: a Mãe-natureza em sagrada conexão; as Mães de todos os filhos. As Mãe da diversidade, das culturas humanas, a Grande Mãe que criou, em amor com o Grande Pai, o Planeta e toda vida. A Mãe da Paz entre todos. E, nesse ambiente, revalorizamos a cooperação permanente pelos elevados valores de paz, justiça, cura, amor, abundância, presentes entre todos os que se reúnem para se conectar com a profunda sabedoria, que se manifesta nas mais diversas expressões das tradições religiosas, espirituais e indígenas; abrindo-nos ao profundo valor que nos agrega neste momento: o Príncipio Feminino em equilíbrio com o Masculino, ambos ricos de criatividade, espiritualidade, abundância e luminosidade para todo o Planeta. Aqui está parte da chave para que, localmente, a partir de cada um de nós, de nossas casas e bairros, nos conectemos com a Grande Família, com sua Grande Mãe e seu Princípio de dedicação completa ao sagrado, presente entre seus filhos, gerando, criativamente, um novo olhar e uma nova maneira de vivermos nossas relações com a Natureza, com a riqueza disponível ao nosso redor, e sua distribuição entre todos. E de como nos abrirmos para a simplicidade da autêntica espiritualidade, fonte de profunda satisfação para todos. Que a Paz prevaleça na Terra, a começar em nós! Rev. Elias de Andrade Pinto Conselheiro da URI – Iniciativa das Religiões Unidas www.uribrasil.org.br Nucleador de Espiritualidade do Ecobairro www.ecobairro.org.br


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