ATITUDE
- Edição 92 - Mar/2010
Jean Massumi

Observar é simples

Quando chega um paciente pela primeira vez aqui no consultório, tenho uma conversa na qual pergunto quais são as principais queixas e objetivos, uma pequena análise. Porém, não é verbalmente que colhemos as informações relevantes. É observando e tocando. E isso pode ser feito em casa mesmo e por todos.

Algumas vezes dizemos algo que constatamos e o paciente nos chama de bruxo, adivinho ou mago. Na realidade, foi só uma informação fornecida pelo corpo dele e não percebida pelo próprio paciente.

Desde o cumprimento na apresentação, já começamos esse processo de coleta de dados: Qual é o timbre de voz? Ele está com cara de sofrimento ou dor? Ele aperta a mão firmemente? Como está a respiração? Ele fala pausadamente? Ele se senta e levanta com facilidade? Geme? Como está sua cor de pele? Os olhos brilham?

São detalhes que, em um curto momento, nos levam a suspeitar de certas condições: dores, ansiedade, desânimo, falta de energia... Tudo isso somente através de um inocente cumprimento.

Depois vem a forma como ele se senta, como está a postura corporal, como ele gasta o sapato, como ele cruza as pernas e assim por diante.

O melhor disso é que podemos aprender a observar em casa olhando para o nosso exterior em um primeiro momento e, depois, adquirindo mais sensibilidade e olhando para o coração. Vocês vão me perguntar: Para quê?

Por um simples motivo: AUTOCONHECIMENTO. Muita gente não sai do lugar porque não sabe onde está. Isso é mais comum do que imaginamos...

Muito obrigado a todos os leitores do Pedaço da Vila. Agradeço pelos e-mails e ligações.


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